sexta-feira, 20 de agosto de 2010

No retoque da palavra

Seja onde for, não afirme:

- "Detesto esse lugar!"
Cada criatura vive na terra dos seus credores.
Ouvindo a frase infeliz, não grite:

- "É um desaforo!"
Invigilância alheia pede a nossa vigilância maior.
Atravessando a madureza, não se lamente:

- "Já estou cansado".
Sintoma de exaustão, vontade enferma.
Sentindo a mocidade, não assevere:

- "Preciso gozar a vida!"
Romagem terrestre não é excursão turística.
À frente do amigo endividado, não ameace:

- "Hoje ou nunca!"
Agora alguém se compromete, amanhã seremos nós.
Ao companheiro menos categorizado, não ordene:

- "Faça isso!"
Indelicadeza no trabalho, ditadura ridícula.
Perante o doente, não exclame:

- "Pobre coitado!"
Compaixão desatenta, crueldade indireta.
Ao vizinho faltoso, nunca diga:

"Dispenso-lhe a amizade."
Todos somos interdependentes.
Sob o clima da provação, não se queixe:

- "Não suporto mais!"
O fardo do espírito gravita na órbita das suas forças.
No cumprimento do dever, não clame:

- "Estou sozinho."
Ninguém vive desamparado.
Colhido pelo desapontamento, não reclame:

- "Que azar!"
A Lei Divina não chancela imprevistos.
À face do ideal, não se lastime:

- "Ninguém me ajuda."
No Espiritismo temos responsabilidade pessoal com o Cristo.

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