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terça-feira, 26 de agosto de 2008

O certo por linha certas

Ao olharmos o mundo em que vivemos, podemos observar que ainda existe muita dor e

sofrimento, apesar da grande evolução intelectual do homem que proporciona grandes avanços

tecnológicos à humanidade. São as guerras originadas pela prepotência e intolerância; fome e

miséria, fruto da insensibilidade e do egoísmo; o preconceito, filho direto da ignorância. Basta

uma breve olhada ao nosso redor para verificarmos que estamos habitando um mundo em que

existe ainda mais tristeza do que a alegria. Um mundo em que o mal ainda predomina as ações

e que os interesses pessoais, na maioria das vezes escusa, é o móvel das ações de seus

habitantes.

Poderíamos citar ainda os dramas pessoais vividos por quase todos que habitam o planeta.

Problemas de saúde, relacionamentos afetivos e familiares; dificuldades econômicas e

profissionais; problemas emocionais e depressivos; enfim, toda uma gama de situações que

causam ao ser humano preocupações e sofrimentos em maior ou menor escala.
Em nosso envolvimento com os problemas pessoais, nem sempre nos damos conta de que

problemas piores que os nossos são comuns e temos por conta disso, na maioria das vezes,

dificuldade em compreender esta situação atual do planeta e nossa participação neste contexto.

Paradoxalmente fica mais difícil ainda esta compreensão quando temos a crença na existência

de um Ser criador, que aprendemos ser perfeito, justo e misericordioso. Ora, se este Ser tem

estes atributos, entre tantos outros, como entender que Ele nos criou para tanta dor e

sofrimento? Se olharmos toda esta situação com a crença da existência única da vida na

matéria, mesmo com a crença na eternidade da alma, fica então impossível o entendimento.

Ao alargarmos um pouco mais nosso entendimento através do conhecimento das leis divinas,

principalmente da lei de causa e efeito, compreenderemos que todos os que habitamos este

mundo temos a expiar débitos contraídos com a lei e necessitamos passar por provações para

a consolidação dos conhecimentos espirituais que se traduzirão em nossas ações diárias.

Para que possamos passar por este processo expiatório e de provas, uma existência apenas na

matéria é insuficiente, precisaremos portanto passar por inúmeras experiências neste

aprendizado. Para tal Deus nos dá as ferramentas necessárias, isto é, Ele nos provê do que

necessitamos para o enfrentamento destas dificuldades. A fé na providência divina é que dá ao

ser, que passa pelas dificuldades inerentes ao seu nível evolutivo, a serenidade para

enfrentá-las e lhe possibilita tirar as lições necessárias para sua vida. Ao contrário, quando não

há esta fé, o homem se desespera e termina por comprometer-se ainda mais perante a lei.

Diz o ditado popular que Deus escreve certo por linhas tortas, o que justificaria assim as

dificuldades por que passa o ser humano nesta vida. Porém na verdade, Deus escreve certo

por linhas também certas, já que Ele é perfeito. A tortuosidade da linha de nossa vida é por

nós mesmos delineada no uso indevido do nosso livre arbítrio, que é a linha mestra de nossa

caminhada evolutiva.

É necessário, portanto, que aproveitemos cada oportunidade que a vida nos dá para

reformularmos nossa conduta buscando a melhoria interior objetivando a conquista da

evolução espiritual para qual fomos criados. As oportunidades são muitas e nos são

disponibilizadas a todo instante, mesmo nos momentos das dores que nos atingem

momentaneamente e, na verdade, é nestes momentos que as lições são mais contundentes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Materialismo pós-moderno

O materialismo é uma doutrina filosófica que encara os fatos e acontecimentos do Universo como

explicáveis em termos de matéria e movimento. A concepção materialista abrange igualmente,

os processos psíquicos, como o pensamento e os sentimentos, interpretando-os como resultado

de causas inerentes ao sistema nervoso. Para esta teoria, a única realidade concreta é a matéria

em movimento, a qual, por sua riqueza, produz efeitos surpreendentes de ordem psíquica ou

mental. Surgiu no ano VI a.C. através dos filósofos gregos Tales de Mileto e Anaximandro.



Esta filosofia ficou por séculos restrita a uns poucos seguidores, tendo ressurgido em meados do

século passado com o chamado materialismo dialético de Marx e Engels, quando

popularizou-se e passou a ser oficialmente adotado pelo regime comunista em boa parte do

mundo.

Com a queda do muro de Berlim e conseqüente derrocada do regime comunista, o materialismo

prático foi praticamente extinto, restando uns poucos seguidores, não por convicção, mas por

não terem encontrado uma outra vertente filosófica que os satisfaçam



No entanto, ao analisarmos a situação da sociedade, verificamos que o materialismo ainda não

está extinto, apenas se modificou em sua forma. Está ainda muito vivo no excessivo apego

às coisas materiais e no consumismo exacerbado que impõe às pessoas. O materialismo

moderno é ainda mais pernicioso, pois age de forma sutil no indivíduo, que nem mesmo percebe

ser seu prisioneiro.



Os que se dizem espiritualistas por freqüentar determinada religião, sem vivenciarem seus

ensinamentos morais; os que vão semanalmente aos templos, dedicando umas poucas horas

semanais às coisas do Espírito; os que procuram as práticas espirituais apenas para

estarem de bem com Deus, quando na verdade visam uma compensação financeira; enfim

estes, entre tantos, são os materialistas modernos, não pela ignorante convicção dos de outrora,

mas por puro interesse material.



O desaparecimento desta filosofia se dará de forma natural, pois, como nos diz Allan Kardec

“a humanidade necessita crer no futuro e jamais se contentaria com o vazio que ele

(o materialismo) deixa após si”. Para que isto aconteça é preciso o ser humano mudar o ponto

de vista pelo qual encara a vida terrena. Deve conscientizar-se que a verdadeira vida é a

espiritual (eterna) e que esta, que vivemos na matéria, é apenas transitória. Ao

compreendermos que a vida real é infinita, entenderemos que se deve encarar as

presentes dificuldades com tranqüilidade, resultando numa calma de espírito que abrandará

nossas amarguras.



Os sofrimentos morais, as dificuldades de relacionamento familiar e profissional, o desencanto

da vida, a esperança perdida e outros tantos desequilíbrios, são os frutos deste materialismo

que se apodera de nosso ser apesar de, teoricamente, nos acharmos espiritualistas. O

Espiritismo nos dá a amplitude de pensamento necessária para abrir-nos novos horizontes,

substituindo esta visão estreita e mesquinha que concentra nossos objetivos na vida material e

que nos transforma em materialistas pós-modernos.