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quinta-feira, 2 de abril de 2009

O REMÉDIO PARA AS ENFERMIDADES

Poucas são as pessoas que têm um entendimento mais amplo da vida, capaz de vislumbrá-la em seu aspecto transcendente. São comuns questionamentos sobre a razão de existirmos e sobre as diferenças entre as criaturas. Por que uns são ricos e outros pobres; alguns são saudáveis e outros estão entregues às enfermidades? Será que Deus existe? Se existir, será Ele bom e justo permitindo que tantas injustiças aconteçam? E destes pensamentos surgem uma série de incertezas que enchem de ansiedade, insegurança e revolta a alma dos que se encontram nas situações de submissão e sofrimento.

Quando estes estados de submissão e sofrimento não estão associados às enfermidades o indivíduo consegue sobreviver com um pouco de equilíbrio, pois a saúde possibilita-lhe lutar para solucionar as suas dificuldades. Porém, quando este é vitimado por alguma doença ou debilidade física, seu equilíbrio fica totalmente vulnerável, independente de sua condição financeira.

Quanto representam os bens materiais diante da dor, da incerteza, do arrependimento (pois algumas enfermidades são conseqüências de nossa imprudência) e das limitações? É claro que eles facilitam o tratamento e o alívio destas aflições, mas quantas pessoas consumiram fortunas sem conseguirem o resultado desejado. Muitas enfermidades ainda permanecem sem cura, muitas lesões são irreversíveis e muitas debilidades são permanentes..

Entender a vida em seu aspecto espiritual possibilita uma compreensão dos porquês de tudo, pois reconhecer que a vida não se limita no nascer e morrer abre um novo horizonte de esperança e um grande conforto naqueles que sofrem.

Jesus Cristo divulgou entre os homens uma doutrina que transcendia as de seu tempo e que permanece até nossos dias pouco compreendida, apesar de influenciar a vida em quase todo mundo. Esta doutrina tem em especial o fato de tratar a vida de uma forma mais ampla, abrangendo seus aspectos materiais e espirituais, mostrando o que somos realmente.

O perfil de Deus apresentado por Jesus é o mais perfeito e consolador. Ele nos mostrou Deus como Pai, aproximando dessa forma a criatura do Criador. Antes, via-se Deus como Alguém distante, ditador e vingativo, pior que um ser humano. Mas a visão cristã transformou o Deus vingativo em educador, o ditador em protetor e eliminou a distância entre nós e Ele, pois nos ensina que o Pai se encontra em todos os lugares, mostrando o caminho da paz aos seus filhos.

A vida na Terra, quando interpretamos os ensinamentos de Jesus, é um estágio de trabalho com a finalidade de educarmos o nosso espírito para a vida espiritual, a verdadeira vida que o Mestre falava. Passar por dificuldades, sejam materiais, emocionais ou de saúde serve para aprendermos a controlar nossas imperfeições e valorizar a fraternidade. Temos como exemplo disso as famílias que se unem somente quando alguma infelicidade acontece; as pessoas que só dão conta do valor da saúde depois que as enfermidades batem à sua porta. Na verdade, são males necessários para despertarem os espíritos e alertar-nos para o que nos rodeia.

A Doutrina Espírita através dos conceitos da reencarnação, da lei de causa e efeito, da existência de Deus, da existência e da comunicação dos espíritos e da lei do progresso explica o que o Mestre nos ensinou há dois mil anos e mostra com clareza o panorama de vida do qual Jesus se referia. Seria muito difícil na atualidade convencer uma pessoa que está em sofrimento que Deus existe, que é bom e justo e que devemos nos orientar pelos ensinos do Cristo sem explicarmos as razões de tanta dor. Para convencer, fatos são melhores do que argumentos. E a realidade pode ser encontrada na Doutrina Espírita.

O estudo do Espiritismo demonstra o processo da vida, colocando a fé face-a-face com a lógica. Não tem dogmas ou mistérios, mas baseia-se no entendimento das Leis da Natureza, criadas por Deus para atender a todos. Porém, é necessário que tenhamos a boa vontade de estarmos predispostos a receber a ajuda do Alto. Caso contrário, nossas dores só tendem a aumentar, já que estamos agindo contrários às Leis. O resultado com certeza é o sofrimento.

As pessoas de boa índole, sem vícios e que se esforçam para melhorar-se espiritualmente controlando suas más tendências, buscando desenvolver em si as virtudes, favorecem o auxílio dos Bons Espíritos, Anjos da Guarda ou o nome que quisermos dar para os enviados de Jesus, que velam por todos nós.

Ao abrirmos nossos pensamentos para estes amigos espirituais estaremos dando o primeiro passo para nos libertarmos das angústias que nos atormentam. A oração sincera, feita de coração, irá nos facilitar esta atitude, ajudando-nos a nos recuperarmos de uma simples indisposição até doenças mais graves, atuando em uma área em que a medicina ainda não tem acesso: o espírito, nossa consciência.

Os milagres de Jesus eram realizados desta maneira, tocando fundo a fé das pessoas. Por isso, sempre ao curar alguém de uma enfermidade, dizia: "Sua fé lhe curou".

Podemos assim ter mais fé, coragem e paciência quando a enfermidade surgir em nossas vidas, crendo que lado-a-lado com a medicina terrena teremos a ajuda de Jesus, pois trata-se de um momento onde podemos melhorar o nosso espírito e compreendermos a verdadeira razão de vivermos na Terra: nossa evolução espiritual.

domingo, 13 de julho de 2008

HONESTIDADE E HIPOCRISIA

"E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma

palavra.

E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém

se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho

de Deus; é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?

Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma

moeda, para que a veja.

E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe

disseram: De César.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de

Deus. E maravilharam-se dele" (Marcos 12, 13-17).



Nos dias em que Jesus esteve encarnado na Terra, divulgando a palavra de Verdade, o povo de

Israel era dominado pelo Império Romano. De tradição religiosa, os israelitas acreditavam

cegamente na promessa de Deus à Abraão, de que seriam possuidores e dominadores daquelas

terras.

O fato de estarem sob o domínio de um outro povo, era para eles motivo de grande revolta, que

se agravava pelos duros impostos ou tributos cobrados pelos Romanos.

No trecho bíblico que nos serviu de introdução para este texto, os fariseus, religiosos da época e

inimigos do Mestre, questionam Jesus a respeito da licitude do pagamento do tributo tão odiado

pelos israelitas, buscando pegá-lo em erro.

Se Jesus tivesse dito que não era lícito pagar o tributo, os herodianos, servos do Império

Romano, que na ocasião acompanhavam os fariseus, teriam-no preso; ou se simplesmente

respondesse que deveriam pagar, estaria dando crédito aos romanos, contrariando a tradição

religiosa e a vontade daquele povo, que passaria a odiar-lhe e não mais lhe daria ouvidos,

podendo inclusive tentar contra a sua vida. Mas Jesus faz uma sábia separação entre as coisas

de Deus e as convenções humanas, demonstrando que o cumprimento do dever é obrigação que

não se limita a um plano, material ou espiritual, mas que busca atender à melhora do espírito,

pelo esforço que faz para atingir tal objetivo.

Jesus nos mostra que pode o homem viver dignamente aos olhos de Deus, cumprindo com as

obrigações instituídas pelos homens. Para que possamos compreender melhor este ensinamento

do Cristo, é necessário que nos lembremos da razão pela qual estamos encarnados e sujeitos a

estes constrangimentos. Somos ainda criaturas imperfeitas que encontram na Terra dificuldades

que lhe servirão de exercícios e testes para suas virtudes. Compactuar com o erro não é a

postura correta do cristão, mas a correção do erro não pode se originar de um outro erro.

A desonestidade tem sido freqüentemente justificada pela própria desonestidade. Pessoas

justificam-se por não pagar impostos dizendo que o governo é corrupto, que verbas são

desviadas, que os governantes recebem altos salários sem nada produzir. Funcionários lesam

patrões considerando que seu salário é baixo e que o patrão vive na regalia. Cônjuge trai cônjuge

por julgar-se traído, e desta forma a sociedade humana, dotada de inteligência e dos exemplos de

Jesus, entrega-se à hipocrisia semelhante aos fariseus, que procuravam o mal fingindo estarem

preocupados com o bem. Nenhuma desonestidade pode ser justificada senão pela ignorância ou

pelo arrependimento. Crer que um mal justifica outro é um grave engano, que se refletirá

futuramente quando de nós forem cobrados valores que não estão ligados à matéria.

Há no nosso mundo diversas coisas com as quais não concordamos e que muitas vezes são de

fato erradas, como no passado a exploração dos romanos sobre os israelitas, ou as injustiças

atuais que afligem nossa sociedade. Mas para corrigi-las devemos buscar os meios justos e

legais. Com isso, estaremos produzindo o bem-social e o nosso bem-individual através do esforço

que faremos para superar o nosso comodismo, nossa preguiça, nosso egoísmo, melhorando

nosso conhecimento para bem argumentarmos, enfim, aprendendo o que é bom para superar o

que é ruim.

Quando porventura estivermos diante da possibilidade de falhas como as citadas anteriormente,

não nos enganemos com falsas justificativas que servem somente à nossa má vontade, mas

façamos de acordo com a doutrina cristã, que nos ensina a analisar a situação e a buscar a

solução inteligente e pacífica para o problema, considerando o progresso da criatura e o amor ao

próximo.