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quarta-feira, 7 de julho de 2010

RETRATO DA AMIZADE

Agradeço, alma fraterna e boa,

O amor que no teu gesto se condensa,

Deixando, ao longe, a festa, o ruído e o repouso

Para dar-me a presença...

Sofres sem reclamar, enquanto exponho

Minhas ideias diminutas

E anoto como é grande o teu carinho,

No sereno sorriso em que me escutas.

Não sei dizer-te a gratidão que guardo

Pelas doces palavras que me dizes,

Amenizando as lutas que carrego

Em meus impulsos infelizes...

Auxilias-me a ver, sem barulho ou reproche,

Dos trilhos para o bem o mais perto e o mais curto,

Sem cobrar pagamentos ou louvores

Pelo valor do tempo que te furto.

Aceitas-me, no todo, como sou,

Nunca me perguntaste de onde vim,

Nem me solicitaste qualquer conta

Da enorme imperfeição que trago em mim!...

Agradeço-te, ainda, o socorro espontâneo

Que me estendes à vida, estrada afora,

Para que as minhas mãos se façam mensageiras

De consolo a quem chora!...

Louvado seja Deus, alma querida e bela,

Pelo conforto de teu braço irmão,

Por tudo o que tens sido em meu caminho,

Por tudo o que me dás ao coração!...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

NÃO REPROVES

Um companheiro de lado,

Triste, agressivo, irritado,

Causando preocupação,

É sempre alguém que procura

Consolo à própria amargura,

Pedindo compreensão.

Fitando qualquer pessoa

Que te injuria, perdoa

E auxilia, mais e mais...

Na multidão, no barulho,

Muitas máscaras de orgulho

São dores descomunais.

Se te mostra voz de briga,

Dá-lhe, em troca, a frase amiga,

Nada te possa alterar...

Ou simplesmente irradia

Uma oração de alegria

Que lhe atenue o pesar.

Ante os irmãos em revolta,

Sabes que estás sob a escolta

Dos Mensageiros do Bem...

A dor, no tempo, varia,

Cada qual tem o seu dia...

Nunca reproves ninguém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

RAZÕES DA VIDA

Indagas, muita vez, alma querida e boa:

- "Meu Deus, por que essa dor que me atormenta o ser?"

E segues, trilha afora, em pranto oculto,

De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.

Anhelas outro clima, outro lar e outros rumos,

Entretanto, o dever te algema o coração dorido

Ao campo de trabalho que abraçaste,

Atendendo, na Terra, a divino sentido.

Antes de renascer, os seres responsáveis

Notam as próprias dívidas quais são

E suplicam a Deus lhes conceda no mundo

caminho que os leve à redenção.

Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos

Que te parecerem fardos de problemas,

Encontras-te no encalço da conquista

De bênçãos imortais e alegrias supremas.

A lágrima que vertes padecendo

Longas tribulações. entre lutas e crises.

É um remédio da vida. em nossos olhos,

Que nos faculte ver os irmãos infelizes.

O abandono dos seres que mais amas.

Criando-te a aflição em que choras e anseias.

É um curso de lições em que aprendemos

Quanto custam na estrada as angústias alheias.

Familiares que te contrariam

Trazem-nos a lembrança os gestos rudes

Com que outrora ferimos entes caros

No fel de nossas próprias atitudes.

Afeição de outras eras que descubras.

Querendo-lhe debalde a presença e a união,

É instrumento de amor que te inspira a renúncia

Para o trabalho da sublimação.

A experiência humana é breve aprendizado

E essa tribulação que te fere e domina

É recurso dos Céus, em nosso amparo,

Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.

Sofre sem reclamar a prova que te coube,

Mesmo que a dor te espanque, atingindo apogeus...

E, um dia, exclamarás, ante os sóis de outra vida:

- "Bendita seja a Terra!... Obrigado. meu Deus!..."

terça-feira, 3 de março de 2009

VERBOS DE LUZ

Sofreste, de inesperado,
O estranho golpe da ofensa
Que te envolve em dor imensa
No espinheiro de pesar,
Mas o remédio mais puro
Que restaura a alma ferida
Vem da farmácia da vida:
Esquecer e perdoar...

Honrando o cérebro eleito
A Ciência alteia a voz,
Expõe o carro veloz,
A nave aérea, o radar...
Além da luz da ciência,
Pede a dupla providência:
Esquecer e perdoar...

No livro da Natureza,
Solo que aceite o trator,
Garante com mais amor
A semente, o pão e o lar;
Da fornalha desumana,
Vem a fina porcelana...

A ostra desconhecida
Cede ao mundo, sem protesto,
A pérola em plena vida,
Ensinando-nos, vencida:
Esquecer e perdoar...

Assim também, alma irmã,
Nos dias de dor e luta,
Acalma-te, espera, escuta,
Sem tristeza a reclamar
E ouvirás a voz dos Céus,
Em meio da própria ação,
A dizer-te ao coração:
Esquecer e perdoar!...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PROVAS DA MARCHA

Sejam quais forem as provas da marcha, prossigamos com Deus.



Não digas que tudo falha,

Que acima de qualquer crença,

Vale mais a indiferença

Dos que se fazem ateus;



Conta as forças que te apoiam...

Decerto perceberás

Que a luta é preço da paz

E tudo é benção de Deus

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Serve e Esquece

Coração, ouve!... Se queres

A bênção da paz constante,

Trabalha e segue adiante,

Cumprindo o próprio dever...

Para vencer no caminho

Tristeza, treva e pesar,

Muito mais do que lembrar

A vida roga esquecer.

Esquece as mágoas sofridas,

As horas de céu cinzento,

O azedume, o desalento

E os tempos de provação;

Renova-te, dia-a-dia,

Não pares, contando lutas,

Progresso é o lema que escutas

No mundo em transformação.

Tudo procura a vanguarda,

A flor converte-se em fruto,

Do cascalho rijo e bruto,

Eis o diamante a surgir...

O fio forma o agasalho,

A própria noite se esquece

Na aurora que resplandece

Buscando a luz do porvir.

Da própria queda no erro,

Levanta-te e segue à frente,

Servindo incessantemente,

Tudo podes refazer;

Não te detenhas na angústia,

Ante o mal, prossegue e olvida,

As próprias nódoas da vida

A vida pede esquecer.

terça-feira, 13 de maio de 2008

TRAÇO DO CIRINEU

O Senhor carregava a cruz dificilmente...

A sentença cruel, afinal, se cumpria.

Liberto Barrabás, Jesus no mesmo dia,

Era levado à morte, ante a ironia

Do fanatismo deprimente...

Brados, altercações, zombaria, algazarra...

O Excelso Benfeitor, no lenho a que se agarra,

Curva-se de fadiga, arrasta-se, tressua,

Escutando em silêncio os palavrões da rua.

O cortejo prossegue... O Cristo, passo em passo,

Por um momento só, exânime fraqueja;

Ajoelha-se e cai, vencido de cansaço.

O povo exige a marcha, excede-se, pragueja...

Nisso, um campônio vem da gleba com que lida.

É Simão de Cireneu, homem simples e forte.

Um meirinho lhe pede apoio na subida,

Deve prestar auxílio ao condenado à morte...

- "Como, senhor? não posso!... - exclama o interpelado,

- "Tenho pressa!..." No entanto, o funcionário insano

Grita-lhe em rosto: - "Cão, obedece ao chamado!..."

E mostra-lhe o rebenque a gesto desumano...

Calado, o lavrador atende e silencia,

Toma parte da cruz sobre o ombro robusto,

Fita o Mestre cansado e o suor que o cobria...

A turba escala o monte e alcança o topo a custo.

Contemplando Jesus, por fim, deposto o lenho,

Diz-lhe Simão: - "Senhor, achava-me apressado...

A filha cega e muda é o tesouro que eu tenho,

Não queria ferir-te o peito atribulado.

Perdoa, se aleguei a urgência em que me via...

É o coração de pai que falava a chorar...

Sei que estás inocente, ampara-me, alivia

A dor que me avassala e me atormenta o lar..."

Jesus endereçou-lhe um aceno de ternura,

Em meio à multidão, apupado, sozinho

E acentuou: - "Simão, guarda a fé que te apura,

Todo o bem que se faz é uma luz no caminho."

O cireneu, de volta, acha a enorme surpresa...

Fala-lhe a filha: - "oh, pai, uma luz veio a mim,

Agora vejo e falo, acabou-se a tristeza,

Tenho a impressão que a Terra é um formoso jardim!..."

Simão chora, lembrando a cruz que traz na mente

E reconhece o bem por divino troféu,

Que mesmo praticado involuntariamente

É uma força atraindo a intercessão do Céu!...