Não te omitas no socorro
Aos que pareçam felizes,
Quem vê as flores no ramo
Não vê praga nas raízes;
Nem faças beneficência
De face tristonha e fria,
A porta da caridade
Tem nome de "cortesia".
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
ORAÇÃO DA AMIZADE
Agradeço Senhor,
Cada afeição querida
Com que me deste a vida
Alegria, esperança, entendimento, amor!
Enaltece, por mim, a amizade que vem
Resguardar-me a fraqueza em caridade infinda,
Sem perguntar porque não posso ainda
Entregar-me de todo a prática do bem.
Sê louvado Jesus, pela criatura boa
Que me escora no caminho.
Estendendo-me paz, reconforto e carinho
Toda vez que me encontra, auxilia ou perdoa.
Faze brilhar, no mundo, o olhar branco e perfeito
Que me tolera as faltas, de hora a hora
Que me percebe o anseio de melhora
E me ensina a servir sem notar meu defeito...
Santifica, na terra, o ouvido que me escuta,
Sem espalhar a queixa e as aflições que faço,
Nos erros que cometo, passo a passo,
Nos meus dias de mágoa, sombra e luta!...
Abrilhanta, onde esteja, aquele coração.
Que me acolhe nos dons da palavra serena
E nunca me censura e nem condena,
Quando me vejo em treva e irritação.
Reclama de esplendor para a Glória Celeste
A mão, cuja bondade, em júbilo, proclamo,
Que me socorre e ampara aqueles que mais amo
No refúgio do lar que me fizeste
A Ti, Jesus, meu pálido louvor!...
Pelo gesto mais leve e pequenino
Das santas afeições que me deste ao destino.
Agradeço Senhor!....
Cada afeição querida
Com que me deste a vida
Alegria, esperança, entendimento, amor!
Enaltece, por mim, a amizade que vem
Resguardar-me a fraqueza em caridade infinda,
Sem perguntar porque não posso ainda
Entregar-me de todo a prática do bem.
Sê louvado Jesus, pela criatura boa
Que me escora no caminho.
Estendendo-me paz, reconforto e carinho
Toda vez que me encontra, auxilia ou perdoa.
Faze brilhar, no mundo, o olhar branco e perfeito
Que me tolera as faltas, de hora a hora
Que me percebe o anseio de melhora
E me ensina a servir sem notar meu defeito...
Santifica, na terra, o ouvido que me escuta,
Sem espalhar a queixa e as aflições que faço,
Nos erros que cometo, passo a passo,
Nos meus dias de mágoa, sombra e luta!...
Abrilhanta, onde esteja, aquele coração.
Que me acolhe nos dons da palavra serena
E nunca me censura e nem condena,
Quando me vejo em treva e irritação.
Reclama de esplendor para a Glória Celeste
A mão, cuja bondade, em júbilo, proclamo,
Que me socorre e ampara aqueles que mais amo
No refúgio do lar que me fizeste
A Ti, Jesus, meu pálido louvor!...
Pelo gesto mais leve e pequenino
Das santas afeições que me deste ao destino.
Agradeço Senhor!....
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
DEUS TE FAÇA FELIZ
Agradeço, alma irmã, todo o concurso
Com que me reconforta e garantes,
Fazendo-me canal mesmo singelo
De assistência e de alívio aos semelhantes!. . .
O prato generoso que me deste
Não foi somente auxílio à penúria pungente,
Fez-se clarão iluminando anseios,
Felicidade para muita gente.
A roupa usada com que me brindaste,
Além da utilidade em que se aprova,
Transfigurou-se em benção de esperança
A busca de serviço e vida nova.
E leve cobertor que me entregaste
E parecia aos olhos simples pano,
Converteu-se em presença da fé viva
Entretecida de calor humano!. . .
Recursos vários que me ofereceste,
Muito mais que socorro à pessoa insegura,
Transformaram-se em festa de alegria
E retorno ao regaço da ventura.
Por tudo que me dás em bondade e trabalho,
Repito-te no amor que a palavra não diz:
“pelo Dom de servir nos bens com que me amparas,
Deus te guarde, alma irmã!. . . Deus te faça feliz!. .
Com que me reconforta e garantes,
Fazendo-me canal mesmo singelo
De assistência e de alívio aos semelhantes!. . .
O prato generoso que me deste
Não foi somente auxílio à penúria pungente,
Fez-se clarão iluminando anseios,
Felicidade para muita gente.
A roupa usada com que me brindaste,
Além da utilidade em que se aprova,
Transfigurou-se em benção de esperança
A busca de serviço e vida nova.
E leve cobertor que me entregaste
E parecia aos olhos simples pano,
Converteu-se em presença da fé viva
Entretecida de calor humano!. . .
Recursos vários que me ofereceste,
Muito mais que socorro à pessoa insegura,
Transformaram-se em festa de alegria
E retorno ao regaço da ventura.
Por tudo que me dás em bondade e trabalho,
Repito-te no amor que a palavra não diz:
“pelo Dom de servir nos bens com que me amparas,
Deus te guarde, alma irmã!. . . Deus te faça feliz!. .
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
ANSEIO E PRECE
Senhor!... Sei que nos deste a todos
Um encargo ou missão.
Nada promoves sem objetivo,
Nada fazes em vão.
A estrela conferiste
A benção de agüentar-se e refulgir sem véu,
Tal qual sucede ao Sol que nos conduz
Pelas vias do Céu.
Atribuíste à Terra
A função de compor e recompor
A forma em que o trabalho nos confere
A ciência do amor.
Colocaste no mar a investidura imensa
De externar-te o poder
E a fonte o privilégio de ensinar-nos
A humildade por norma e o perdão por dever.
Comissionaste as árvores amigas,
Em que a lição do bem se exprime e se condensa,
Para a tarefa de guardar-te a vida
E auxiliar sem recompensa.
Doaste à flor o dom de perfumar
E puseste na estrada o dom de conduzir,
Deste música às aves, deste ao vento
O doce ministério de servir.
Tudo te filtra a glória soberana,
Tudo te exalta a Lei,
Em razão disso, eu própria reconheço
Que quase nada sou e quase nada sei.
Mas se posso pedir-te alguma coisa,
Converte-me, Senhor, a própria imperfeição
Num canal pequenino que te mostre
A força da bondade e a luz da compaixão.
Um encargo ou missão.
Nada promoves sem objetivo,
Nada fazes em vão.
A estrela conferiste
A benção de agüentar-se e refulgir sem véu,
Tal qual sucede ao Sol que nos conduz
Pelas vias do Céu.
Atribuíste à Terra
A função de compor e recompor
A forma em que o trabalho nos confere
A ciência do amor.
Colocaste no mar a investidura imensa
De externar-te o poder
E a fonte o privilégio de ensinar-nos
A humildade por norma e o perdão por dever.
Comissionaste as árvores amigas,
Em que a lição do bem se exprime e se condensa,
Para a tarefa de guardar-te a vida
E auxiliar sem recompensa.
Doaste à flor o dom de perfumar
E puseste na estrada o dom de conduzir,
Deste música às aves, deste ao vento
O doce ministério de servir.
Tudo te filtra a glória soberana,
Tudo te exalta a Lei,
Em razão disso, eu própria reconheço
Que quase nada sou e quase nada sei.
Mas se posso pedir-te alguma coisa,
Converte-me, Senhor, a própria imperfeição
Num canal pequenino que te mostre
A força da bondade e a luz da compaixão.
sábado, 2 de agosto de 2008
Esquema de Luz
Não chores. Trabalha sempre.
Não condenes. Abençoa.
Não te revoltes. Perdoa.
Cultiva o amor fraternal.
Não te detenhas. Prossegue.
Nada reclames. Confia.
Busca a celeste alegria,
Doando o bem pelo mal.
Não te lastimes. Espera.
Não combatas. Colabora.
Serve e serve, hora por hora
No ideal que te conduz.
E encontraremos mais cedo
No amor unido à verdade,
A luz da felicidade
Em nosso esquema de luz.
Não condenes. Abençoa.
Não te revoltes. Perdoa.
Cultiva o amor fraternal.
Não te detenhas. Prossegue.
Nada reclames. Confia.
Busca a celeste alegria,
Doando o bem pelo mal.
Não te lastimes. Espera.
Não combatas. Colabora.
Serve e serve, hora por hora
No ideal que te conduz.
E encontraremos mais cedo
No amor unido à verdade,
A luz da felicidade
Em nosso esquema de luz.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Prece
Senhor!... Sei que nos deste a todos
Um encargo ou missão.
Nada promoves sem objetivo,
Nada fazes em vão.
À estrela conferiste
A bênção de agüentar-se e refulgir sem véu,
Tal qual sucede ao Sol que nos conduz
Pelas vias do Céu.
Atribuíste à Terra
A função de compor e recompor
A forma em que o trabalho nos confere
A ciência do amor.
Colocaste no mar a investidura imensa
De externar-te o poder
E à fonte o privilégio de ensinar-nos
A humildade por norma e o perdão por dever.
Comissionaste as árvores amigas,
Em que a lição do bem se exprime e se condensa,
Para a tarefa de guardar-te a vida
E auxiliar sem recompensa.
Doaste à flor o dom de perfumar
E puseste na estrada o dom de conduzir,
Deste música às aves, deste ao vento
O doce ministério de servir.
Tudo te filtra a glória soberana,
Tudo te exalta a Lei,
Em razão disso, eu própria reconheço
Que quase nada sou e quase nada sei.
Mas se posso pedir-te alguma coisa,
Converte-me, Senhor, a própria imperfeição
Num canal pequenino que te mostre
A força da bondade e a luz da compaixão.
Um encargo ou missão.
Nada promoves sem objetivo,
Nada fazes em vão.
À estrela conferiste
A bênção de agüentar-se e refulgir sem véu,
Tal qual sucede ao Sol que nos conduz
Pelas vias do Céu.
Atribuíste à Terra
A função de compor e recompor
A forma em que o trabalho nos confere
A ciência do amor.
Colocaste no mar a investidura imensa
De externar-te o poder
E à fonte o privilégio de ensinar-nos
A humildade por norma e o perdão por dever.
Comissionaste as árvores amigas,
Em que a lição do bem se exprime e se condensa,
Para a tarefa de guardar-te a vida
E auxiliar sem recompensa.
Doaste à flor o dom de perfumar
E puseste na estrada o dom de conduzir,
Deste música às aves, deste ao vento
O doce ministério de servir.
Tudo te filtra a glória soberana,
Tudo te exalta a Lei,
Em razão disso, eu própria reconheço
Que quase nada sou e quase nada sei.
Mas se posso pedir-te alguma coisa,
Converte-me, Senhor, a própria imperfeição
Num canal pequenino que te mostre
A força da bondade e a luz da compaixão.
domingo, 20 de abril de 2008
BENÇÃO DO CÉU
CONTA uma lenda antiga que o Senhor
Veio à Terra formada, certo dia...
Com tamanhos recursos a dispor,
O Planeta sentia
Necessidade de instrução e amor.
Espíritos humanos, aos milhares,
Vagueavam sonâmbulos no solo;
E embora sob a luz dos gênios tutelares,
Do campo imenso ao íntimo dos mares
Viviam em distúrbio, pólo a pólo.
Falta a ordem para os elementos,
Mas o Senhor agindo com presteza,
Fez a organização da Natureza,
A envolver toda a Terra na grandeza
Dos seus altos e sábios pensamentos.
Coube ao Sol a missão de sustentar a vida,
Atravessando alturas sem vencê-las;
E, para refazer cada existência em lida,
A noite recebeu a paz indefinida,
Asserenando o mundo ao clarão das estrelas.
Foi entregue o limite às linhas do horizonte,
As árvores florindo em campo aberto
Deram-se à produção de valores em monte;
Depois, encarregou-se a bondade da fonte
De fecundar o chão e amparar o deserto.
A ovelha improvisou os fios do agasalho,
Reclamou-se da abelha o favo suculento,
Inventou-se a bigorna para o malho,
Tudo era disciplina, harmonia e trabalho
Que o Senhor dirigia calmo e atento.
Mas os seres dotados de razão
Espalharam-se em grupos sobre a Terra...
Inteligências sob o orgulho vão,
Separaram-se em muros de ambição
E criaram a dor, a violência e a guerra.
Vendo o ódio crescer, de segundo a segundo,
O Senhor os guiou à experiência nova;
Deu-lhes doce prisão em corpos sobre o mundo,
Para terem, por si, a paz do amor profundo
Pelas tribulações e lágrimas da prova.
Notando-lhes, porém, as blasfêmias e os brados
De sofrimento e desesperação,
Viu que na condição de seres encarnados,
Quase todos espíritos culpados,
Exigiam carinho e proteção.
Quem seria capaz de tamanha bravura?
Doar-se sem pedir? Amparar sem prender?
Quem seria, afinal? Onde a criatura,
Cuja afeição se erguesse, até mesmo à loucura,
Achando a luz no caos, a sorrir e a sofrer?
O Senhor meditou, meditou... Em seguida,
Separou certa jovem dentre os réus,
Revestiu-a do amor sem sombra e sem medida...
A primeira mulher se fez mãe para a vida
E o homem se acalmou ante a bênção do Céu.
Veio à Terra formada, certo dia...
Com tamanhos recursos a dispor,
O Planeta sentia
Necessidade de instrução e amor.
Espíritos humanos, aos milhares,
Vagueavam sonâmbulos no solo;
E embora sob a luz dos gênios tutelares,
Do campo imenso ao íntimo dos mares
Viviam em distúrbio, pólo a pólo.
Falta a ordem para os elementos,
Mas o Senhor agindo com presteza,
Fez a organização da Natureza,
A envolver toda a Terra na grandeza
Dos seus altos e sábios pensamentos.
Coube ao Sol a missão de sustentar a vida,
Atravessando alturas sem vencê-las;
E, para refazer cada existência em lida,
A noite recebeu a paz indefinida,
Asserenando o mundo ao clarão das estrelas.
Foi entregue o limite às linhas do horizonte,
As árvores florindo em campo aberto
Deram-se à produção de valores em monte;
Depois, encarregou-se a bondade da fonte
De fecundar o chão e amparar o deserto.
A ovelha improvisou os fios do agasalho,
Reclamou-se da abelha o favo suculento,
Inventou-se a bigorna para o malho,
Tudo era disciplina, harmonia e trabalho
Que o Senhor dirigia calmo e atento.
Mas os seres dotados de razão
Espalharam-se em grupos sobre a Terra...
Inteligências sob o orgulho vão,
Separaram-se em muros de ambição
E criaram a dor, a violência e a guerra.
Vendo o ódio crescer, de segundo a segundo,
O Senhor os guiou à experiência nova;
Deu-lhes doce prisão em corpos sobre o mundo,
Para terem, por si, a paz do amor profundo
Pelas tribulações e lágrimas da prova.
Notando-lhes, porém, as blasfêmias e os brados
De sofrimento e desesperação,
Viu que na condição de seres encarnados,
Quase todos espíritos culpados,
Exigiam carinho e proteção.
Quem seria capaz de tamanha bravura?
Doar-se sem pedir? Amparar sem prender?
Quem seria, afinal? Onde a criatura,
Cuja afeição se erguesse, até mesmo à loucura,
Achando a luz no caos, a sorrir e a sofrer?
O Senhor meditou, meditou... Em seguida,
Separou certa jovem dentre os réus,
Revestiu-a do amor sem sombra e sem medida...
A primeira mulher se fez mãe para a vida
E o homem se acalmou ante a bênção do Céu.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
SUGESTÃO DO NATAL
Escuta, alma querida!
Você que chora tanto,
Lembrando, no Natal, os seus queridos,
E o carinho do lar, nos tempos idos,
Vem partilhar conosco a festa diferente,
Na qual Jesus nos encaminha tanta gente,
De coração cansado e olhos em pranto,
Para que lhe doemos, em seu nome,
Algo que diminua a prova que a consome
Desce da tua dor, tão alta, como dizes,
E vem conosco ao chão onde enxameia
O sofrimento da ansiedade alheia
E as duras privações dos irmãos infelizes.
Por amor a Jesus, desdobra-te em desvelos,
E se tens algo para dividir,
Traze o que possas para socorrê-los,
Fazendo alguma lágrima sorrir.
Tudo serve à penúria em desconsolo,
A xícara de leite à criança doente,
A fatia de pão, o pedaço de um bolo
E o lume do fogão que renove o ambiente
Não te percas, chorando em saudade vazia,
Vem trabalhar conosco e acender nova luz!
Esquece a própria dor. Natal é novo dia
De buscar a esperança e servir com Jesus.
Você que chora tanto,
Lembrando, no Natal, os seus queridos,
E o carinho do lar, nos tempos idos,
Vem partilhar conosco a festa diferente,
Na qual Jesus nos encaminha tanta gente,
De coração cansado e olhos em pranto,
Para que lhe doemos, em seu nome,
Algo que diminua a prova que a consome
Desce da tua dor, tão alta, como dizes,
E vem conosco ao chão onde enxameia
O sofrimento da ansiedade alheia
E as duras privações dos irmãos infelizes.
Por amor a Jesus, desdobra-te em desvelos,
E se tens algo para dividir,
Traze o que possas para socorrê-los,
Fazendo alguma lágrima sorrir.
Tudo serve à penúria em desconsolo,
A xícara de leite à criança doente,
A fatia de pão, o pedaço de um bolo
E o lume do fogão que renove o ambiente
Não te percas, chorando em saudade vazia,
Vem trabalhar conosco e acender nova luz!
Esquece a própria dor. Natal é novo dia
De buscar a esperança e servir com Jesus.
sábado, 17 de novembro de 2007
O SALVADOR INESPERADO
Era uma jovem artista, diferente...
Contava apenas quinze primaveras,
Mas atraía em muita gente
Interesse, atenção, bondade, simpatia.
Sabia interpretar mensagens de alegria
E enriquecer canções
Que o público
Aplaudia em palmas e ovações.
Mas, em casa, essa jovem
Tomava outra figura,
Parecia uma fera caprichosa!
Trazia exteriormente a beleza da rosa
E por dentro de si todo um arsenal de espinhos.
O pai, viúvo e só, notava isso
E ao ver a filha única, vaidosa,
Ele, humilde operário, agarrado ao serviço,
Começou a beber, buscando o esquecimento;
Lamentava a viuvez, a dor, o desalento...
E, ao estragar-se, um dia,
Ouviu a filha, em dura rebeldia,
A expulsá-lo do lar:
- vá-se embora daqui - disse a filha a gritar.
O senhor já não manda nesta casa,
Um pai bêbado é nódoa para mim;
A tolerância sempre chega ao fim...
O seu vício me arrasa,
Saia, saia daqui, seu lugar é na rua!...
O pobre pai mal pôde levantar-se,
Mas ergue-se, recua,
E vai cambaleando na calçada,
Enquanto a filha tranca a porta
E vai dormir mal-humorada.
---------------------------------------------------------
Seis anos transcorreram sobre a cena;
A menina fizera-se famosa.
No circo de alto luxo, ela domina...
Parecia, um trapézio, uma estrela divina
Ou borboleta humana, bailando soberana.
Era a dona dos prêmios e era vista
Por beleza sem par e modelo de artista.
Veio uma grande noite. Aplausos. Alegria.
A platéia delira e a multidão das palmas,
O número da moça é quase que magia.
Há espanto nos olhos, êxtase nas almas...
O trapézio voava, ela saltava e ria,
De corpo seminu, em leve fantasia.
Nisso ocorre um imprevisto, ante a platéia atenta,
Surge um curto-circuito e faísca violenta
Ateia fogo em cima e arrasam-se estruturas.
A jovem trapezista atrapalha-se
E agarra uma viga de amarra
Que fica nas alturas...
Ela, a estrela da equipe, a moça bela e forte,
Grita e roga socorro, ao conhecer-se
Em presença da morte.
O incêndio desata, o circo se esvazia,
A jovem grita, grita e ninguém a escuta;
A multidão de longe apenas segue
Os detalhes cruéis daquela imensa luta,
Mas um velho palhaço, um canastrão de arena,
Vara o fogo e se eleva, em corda frágil;
Eis que o povo lhe exalta a coragem serena...
Certa viga, ao cair, espanca-lhe a cabeça,
Ele, porém, não pára e, ante a fumaça espessa,
Alcança a moça aflita e, tomando-a nos braços,
Desce, devagarinho,
Procurando caminho,
Nos bancos chamejantes, em pedaços...
Mas, ao depor no chão a moça linda e salva,
Ela sorri feliz...
O povo aplaude, prazenteiro,
Entretanto,
Cai exausto o truão do picadeiro,
Tomba mostrando a boca, em larga flor de sangue;
Era uma chaga só aquele corpo exangue.
Arfa-lhe o peito enorme, a morte se aproxima.
Alguém chega e o reanima;
É um velho amigo que reaparecera
E que lhe arranca a máscara de cera...
O povo se aglomera... Ante a cera que cai,
A moça empalidece,
Ajoelha-se e grita, como em prece:
- meu deus, ele é meu pai!...
E ele nela fixando o olhar que se despede e brilha,
Num resto de calor e de ternura,
Tão-somente murmura:
- Deus te guarde e abençoe
Filha do coração, meu amor, minha filha!...
Contava apenas quinze primaveras,
Mas atraía em muita gente
Interesse, atenção, bondade, simpatia.
Sabia interpretar mensagens de alegria
E enriquecer canções
Que o público
Aplaudia em palmas e ovações.
Mas, em casa, essa jovem
Tomava outra figura,
Parecia uma fera caprichosa!
Trazia exteriormente a beleza da rosa
E por dentro de si todo um arsenal de espinhos.
O pai, viúvo e só, notava isso
E ao ver a filha única, vaidosa,
Ele, humilde operário, agarrado ao serviço,
Começou a beber, buscando o esquecimento;
Lamentava a viuvez, a dor, o desalento...
E, ao estragar-se, um dia,
Ouviu a filha, em dura rebeldia,
A expulsá-lo do lar:
- vá-se embora daqui - disse a filha a gritar.
O senhor já não manda nesta casa,
Um pai bêbado é nódoa para mim;
A tolerância sempre chega ao fim...
O seu vício me arrasa,
Saia, saia daqui, seu lugar é na rua!...
O pobre pai mal pôde levantar-se,
Mas ergue-se, recua,
E vai cambaleando na calçada,
Enquanto a filha tranca a porta
E vai dormir mal-humorada.
---------------------------------------------------------
Seis anos transcorreram sobre a cena;
A menina fizera-se famosa.
No circo de alto luxo, ela domina...
Parecia, um trapézio, uma estrela divina
Ou borboleta humana, bailando soberana.
Era a dona dos prêmios e era vista
Por beleza sem par e modelo de artista.
Veio uma grande noite. Aplausos. Alegria.
A platéia delira e a multidão das palmas,
O número da moça é quase que magia.
Há espanto nos olhos, êxtase nas almas...
O trapézio voava, ela saltava e ria,
De corpo seminu, em leve fantasia.
Nisso ocorre um imprevisto, ante a platéia atenta,
Surge um curto-circuito e faísca violenta
Ateia fogo em cima e arrasam-se estruturas.
A jovem trapezista atrapalha-se
E agarra uma viga de amarra
Que fica nas alturas...
Ela, a estrela da equipe, a moça bela e forte,
Grita e roga socorro, ao conhecer-se
Em presença da morte.
O incêndio desata, o circo se esvazia,
A jovem grita, grita e ninguém a escuta;
A multidão de longe apenas segue
Os detalhes cruéis daquela imensa luta,
Mas um velho palhaço, um canastrão de arena,
Vara o fogo e se eleva, em corda frágil;
Eis que o povo lhe exalta a coragem serena...
Certa viga, ao cair, espanca-lhe a cabeça,
Ele, porém, não pára e, ante a fumaça espessa,
Alcança a moça aflita e, tomando-a nos braços,
Desce, devagarinho,
Procurando caminho,
Nos bancos chamejantes, em pedaços...
Mas, ao depor no chão a moça linda e salva,
Ela sorri feliz...
O povo aplaude, prazenteiro,
Entretanto,
Cai exausto o truão do picadeiro,
Tomba mostrando a boca, em larga flor de sangue;
Era uma chaga só aquele corpo exangue.
Arfa-lhe o peito enorme, a morte se aproxima.
Alguém chega e o reanima;
É um velho amigo que reaparecera
E que lhe arranca a máscara de cera...
O povo se aglomera... Ante a cera que cai,
A moça empalidece,
Ajoelha-se e grita, como em prece:
- meu deus, ele é meu pai!...
E ele nela fixando o olhar que se despede e brilha,
Num resto de calor e de ternura,
Tão-somente murmura:
- Deus te guarde e abençoe
Filha do coração, meu amor, minha filha!...
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