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domingo, 30 de dezembro de 2007

Não fique triste

Olhando seu olhar triste
Imagino se tem razão
Essa tristeza insiste
Em machucar seu coração

Me dá uma vontade danada
De em meus braços te apertar
De ser seu tudo. Seu nada
De te fazer minha amada
E de muito te amar

Sinto que és carinhosa
Sinto que és feminina
Singela como uma rosa
Isso que me fascina

Não sei porque penso assim
Mas te vejo com problemas
Quero você junto a mim
Pra acabar esses dilemas

Se abra. Fale comigo
Eu não vou me aproveitar
Quero ser o seu amigo
Apesar de te amar

Sei que não sou o bastante
Para te fazer feliz
Não posso ser só amante
De alguém, que eu sempre quis

Serei amigo leal
Sincero em minha paixão
Jamais te faria mal
Mataria meu coração.

sábado, 20 de outubro de 2007

Negro

As marcas que as correntes conceberam,
na pele sensível, luzente e negra,
dos que perceberam,
que o que se faz luz de fato,
não se aplica ao colorido da tez,
marcou numa raça,
sintomas de desgraça,
que hoje ainda perspassam,
e se alojam em um sentimento magoado...
Que infelizmente ficou feito espinho encravado,
na história que a seguir se fêz...
Chamam-me tôsco...
Cor de nada.
Lusco-fusco, tez embaralhada...
Enfim,
em verdade vos digo que até hoje,
o açoite se abate sobre mim,
empunhado pelas leis,
idiotas e mesquinhas,
dos pulhas que se outorgam doutos,
no resolver abjeto de podarem seres soltos,
apriosionando-os,
e liberando seres alvos e esquálidos ,
que financiam o tráfico,
e matam com frieza e sordidez.
São os chefes da banca,
os que dão aos que destrói os corpos,
a verdadeira solidez...
Dinheiro cão!
Apossaram-se de nossas fantasias,
e fizeram-nos ervas daninhas...

A beleza da negritude,
não meneia e nem se permeia,
por definição,
na cor dos olhos,
pois que na realidade,
os vultos passados,
- horizontes inda em ebulição -
trazem para os meus olhos,
uma aguçada e marcante vermelhidão.
Mas hoje minhas pernas não bestificam o meu andar...
Hoje, o que se faz biltre,
vive em meio aos abutres,
e não consegue, assim como m'alma,
levemente volitar, tendo como parceira,
a brisa calma,
que uma cor abençoada me concebe,
e agora, compreendida a questão,
pelo Pai Imenso,
graciosamente me é concedida,
orgulhosa,frondosa, protegida...
Negro sou.
Negro tu.
Algo que arrasa os racistas,
pois que não alardeio a desgraça.
Pois que não sou masoquista,
e tampouco projeto facista,
do choramingar o que não faz por conquista,
e ao invés de questionar esses "porcos" pseudos-senhores,
vive pedinte a viver de favores.
Ser Negro,
na acepção da palavra,
reside justamente no ato,
no qual brandamente,
desprezamos as bravatas,
e adentramo-nos por mundos somente nossos.
Refúgios,
não refugos.
Negro,
que hoje advinculado,
ao que se faz sagrado,
constrói-se por si...

Luta ainda inglória,
a de constatar essa hedionda estatística,
que nos coloca como reis de forças misticas,
mas que não reproduzem em gráficos,
o número pelo menos aproximado,
dos que tombaram de forma sangrenta e covarde,
pelas inglaterras nobres e podres...
Pelas espanhas sutis e carrascas...
Pelos portugais que hoje nos sorriem,
mas que antes nos decapitavam.
Pobres reis apátridas,
que desconheciam que nossas cabeças,
-sementes que são -
reproduz-se-iam, e multiplicadas,
criariam novas legiões,
que se covarde e sutilmente fossem tombadas,
regenerariam-se em células, refazendo-se de novo,
Força de povo,
nobreza igualada,
pois que sobreviveu,
sem comprar ninguém...
Sem se entregar ao estados "porcos"unidos.
Sem aceitar o rótulo de bandidos.
Os nossos pedaços são gens,
nacos que dão vida,
frutificam e honram a cor...
Negro,
talvez hoje admirado,
amado,
sei lá...
Mas negro, sim senhor..
Muito mais próximo ao conceito do ser humano,
do que ao do preconceito animal...
Muito mais verdadeiro e exposto,
sem se esconder sob máscaras de gestos profanos,
mas colocado e posto.
Disposto.
Mesmo que a contragosto,
- dessa minoria que há muito deixou de ser dominante -
que tentou covardemente impingir à negritude,
uma vida sórdida, insolente, pedante,
de para sempre e sempre,
esmolar...
Negro sim por que não?
Algum problema "irmão"?

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

insistem em me saber

Nem choro...
Talvez já não me interesse chorar
pois as lágrimas já reclamam dos caminhos acidentados
de minha face...
Mas oro...
Interessa-me orar
pois que vibrações boas são agentes de novo realce.

Escrevo.
A natureza incute-me esse dom.
Canto,
pois sei que o tom
da melodia quando chega aos meus ouvidos,
já passou pelo meu coração.

Mas as vezes estranho-me
por sentir-me ser e em sendo,
desaparecer para aqueles que insistem
em me saber,
sem olhar-me com os olhos de realmente ver...