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domingo, 11 de abril de 2010

CONSTRIÇÃO

No silêncio da oração,
venho agradecer-Te, Jesus,
por Teu nascimento,
vida e morte,
em martírio,
na Cruz.

Obrigado, Jesus,
por Te fazeres fanal e conforto
aos caminhantes
das escarpadas sendas da vida,
órfãos de um ombro
em que repousar medos
e chorar desilusões,
de ouvir palavra amiga,
de soluçar tristezas,
e espantar solidões.

Obrigado, pelo cotidiano tormento
de tenebrosas semanas santas,
em que vagueiam almas constritas,
por Calvários e Gólgotas,
reféns de violência e desvario,
em infindáveis noites de frio
e em dias desajeitados e vazios,
sem ter em que se abrigar
e sem poder a dor
que sentem no peito mitigar.

Obrigado por Teus exemplos
de amor e perseverança,
de humildade e perdão,
de devoção a um Ideal,
porque eles nos fortalecem
ante os apelos do mal.

Obrigado, Jesus,
por Teu sacrifício na Cruz,
eis que dele se fez acender
da imortalidade a luz,
aclarando vidas,
hoje feitas em dor,
até que amanhã se renovem
iluminadas de Amor...

Obrigado pela inolvidável lição
de Tua ressurreição...

Obrigado, Jesus!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pobre Coração

Pobre coração,
que não tem jeito.
Dentro do peito,
parece almofada
de algodão.

Bate ainda,
mas não sangra;
sofre,
mas não sente,
as agulhas
da paixão.

Pobre coração,
expremido
em seu pulsar,
sem notar
o dolorido
dos alfinetes
do sonhar.

Pobre coração,
insensível
aos gemidos
da saudade,
sem fazer afrouxar
os fios apertados,
da dor inexprimível
da solidão.

Pobre coração,
que de amar em compulsão,
mais parece
almofada
de ilusão...