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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A VIDA E AS ESTAÇÕES

Eu queria que a vida fosse dividida em quatro estágios, mas que
não acabasse nunca
A infância é como a primavera. É pura novidade e um calor que
não sufoca nem faz pensar bobagens. Tem uma inocência quase cafona,
uma singeleza clássica, e traz no íntimo a certeza de que pela frente
vem coisa boa. A gente quer que passe logo, mas sabe que nunca mais
será tão protegido, a mordomia não será eterna. É quando as coisas
acontecem pela primeira vez, é quando num arbusto verde vemos surgir
alguns vermelhos, é surpresa, a primeira de uma série.
A adolescência é como o verão. Quente, petulante, libidinosa.
Parece que não vai haver tempo para fazer tudo o que se quer e
o que se teme. É musical e fotogênica. Dúvidas, dúvidas, dúvidas em
frente ao mar. Mergulha-se no profundo e no raso. Pouca roupa, pouca
bagagem. Curiosidade. Vontade que dure para sempre, certeza de que
passa.
Noção do corpo. Festas e religião. Amor e fé.
A maturidade é como o outono. Um longo e instável outono,
que alterna dias quentes e frios, que nos emociona e nos gripa.
Há mais beleza e o ar é mais seco, porém é quando se colhem os
melhores abraços. Ficar sozinho passa a não ser tão aterrorizante.
Fugimos para a praia, fugimos para a serra, as idéias aprendem a se
movimentar, a fazer a mala rápido, a trocar de rota se o desejo se
impuser, e não é preciso consultar o pai e a mãe antes de errar. É o
outono que tentamos conservar.
O inverno é como a velhice. Tem sua beleza igualmente, exige
lã, bolsa de água quente, termômetro e uma janela bem vedada. O que
não queremos que entre? Maus presságios. O inverno é frio como
despedida de um grande amor, mas sabemos que tudo voltará a ser ameno.
Queremos que passe, temos medo que termine. Ficar sozinho volta a ser
aterrorizante. O inverno é branco, é cinza, é prata. É grisalho.

E, de repente, também passa.
Eu queria que tudo fosse verdade, que a vida fosse assim
dividida em quatro estágios que mais parecem estações do ano, mas que
não acabasse, que depois do inverno viesse outra primavera, e outro
verão, e outro outono, que nunca são iguais, mas sempre se repetem,
sempre voltam, são tão certos quanto o sol e a lua, todo dia, toda
noite. Eu queria.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Fita Métrica do Amor

Como se mede uma pessoa?

Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.

Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu,

quando trata você com carinho e respeito,

quando olha nos olhos e sorri destravado.

É pequena pra você quando só pensa em si mesmo,

quando se comporta de uma maneira pouco gentil,

quando fracassa justamente no momento

em que teria que demonstrar o que há de mais importante

entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você

quando se interessa pela sua vida,

quando busca alternativas para o seu crescimento,

quando sonha junto.

É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende,

quando se coloca no lugar do outro,

quando age não de acordo com o que esperam dela,

mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger

por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza

dentro de um relacionamento,

pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas:

será ela que mudou

ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor

que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor

que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade:

as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.

Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,

mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão,

e ao recolhê-la inesperadamente,

se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos

que tornam uma pessoa grande.

É a sua sensibilidade sem tamanho.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Descontruções

Quando a gente conhece uma pessoa,

construímos uma imagem.

A imagem tem a ver com as nossas expectativas

e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma.

É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos.

Se a pessoa for parecida

com a imagem que projetou em nós,

desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso.

Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa,

mas nada que resista por muito tempo.

No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem

e você acreditou,

virá um processo mais lento:

a de desconstrução daquilo que você achou que era real.

Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos,

desconstruindo Carla.

Milhares de pessoas vivem seus dias

aparentemente numa boa,

mas por dentro estão "desconstruindo ilusões".

Tudo porque se apaixonaram por uma fraude,

não por alguém autêntico.

Ok, é natural que, numa aproximação,

a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos.

Ninguém vai iniciar uma história dizendo:

muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco.

Nada disso, é a hora de fazer charme.

Uma vez o romance engatado,

aí as defesas são postas de lado

e a gente mostra quem realmente é,

nossas gracinhas, manias e imperfeições.

Isso se formos honestos.

Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes,

até que um dia cansam da brincadeira,

deixam cair a máscara

e o outro fica ali, sem entender absolutamente nada.

Quem se apaixonou por uma mentira,

tem que desconstruí-la para "desapaixonar".

É um sufoco.

Exige que você reconheça que foi seduzido

por uma fantasia,

que você é capaz de se deixar confundir,

que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia.

Significa encarar que alguém

por quem você dedicou um sentimento bacana

não chegou a existir,

que tudo não passou de uma representação.

Talvez até não tenha sido por mal,

pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma,

por isso ela se inventa.

Sorte quando a gente sabe com quem está lidando:

mesmo que venha a desamá-lo um dia,

tudo o que foi construído se manterá de pé.

Afinal, todos, resistimos muito

a aceitar que alguém que gostamos

não é, e nem nunca foi, Especial.

domingo, 11 de outubro de 2009

Não Desista Nunca

Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer;

quem vai acreditar?

Dizer que existe uma idade certa, tempo certo,

local certo, não existe.

Somente quando você estiver convicto daquilo que deseja

e esta convicção fizer parte integrante do processo.

Mas quando ocorre este momento?

Imagine uma ponte sobre um rio.

Você está em uma margem e seu objetivo está na outra.

Você pensa, raciocina, acredita que

a sua realização está lá.

Você atravessa a ponte, abraça o objetivo

e não olha para traz.

Estoura a sua ponte.

Pode ser que tenha até dificuldades,

mas se você realmente acredita que pode realizá-lo,

não perca tempo: vá e faça.

Agora, se você simplesmente não quer ficar nesta margem

e não tem um objetivo definido,

no momento do estouro,

você estará exatamente no meio da ponte.

Já viu alguém no meio de uma ponte na hora da explosão...

eu também não.

Realmente não é simples.

Quando você visualizar o seu objetivo

e criar a coragem suficiente em realizá-lo,

tenha em mente que para a sua concretização,

alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja,

facilidades e dificuldades aparecerão,

mas se realmente acredita que pode fazer,

os incômodos desaparecerão.

É só não se desesperar.

Seja no mínimo um pouco paciente.

Pois é, as diferenças básicas

entre os três momentos são:

ESTOURAR A PONTE ANTES DE ATRAVESSÁ-LA

Você começou a sonhar... sonhar... sonhar!

De repente, sentiu-se estimulado a querer

ou gozar de algo melhor.

Entretanto, dentro de sua avaliação,

começa a perceber que fatores que fogem ao seu controle,

não permitem que suas habilidades

e competências o realize.

Pergunto, vale a pena insistir?

Para ficar mais tangível, imaginemos que

uma pessoa sonhe viver ou visitar a lua,

mas as perspectivas do agora não o permitem,

adianta ficar sonhando ou traçando este objetivo?

Para que você não fique no mundo da lua,

meio maluquinho, estoure a sua ponte

antes de atravessá-la, rompa com este objetivo

e parta para outros sonhos!

ESTOURAR A PONTE NO MOMENTO DE ATRAVESSÁ-LA

Acredito que tenha ficado claro,

mas cabe o reforço.

O fato de você desejar não ficar numa situação desagradável

é válido, entretanto você não saber

o que é mais agradável, já não o é!

Ou seja, a falta de perspectiva nem explorada

em pensamento, não leva a lugar algum.

Você tem a obrigação consciencional

de criar alternativas melhores.

Nos dias de hoje, não podemos nos dar ao luxo

de sair sem destino.

O nosso futuro não é responsabilidade de outrem,

nós é que construímos o nosso futuro.

Sem desculpas, pode começar...

ESTOURAR A PONTE DEPOIS DE ATRAVESSÁ-LA.

No início comentei sobre as pessoas que

realizaram o sucesso e outras que

não tiveram a mesma sorte.

Em primeiro lugar, acredito que

temos de definir o que é sucesso.

Sou pelas coisas simples,

sucesso é gostar do que faz e fazer o que gosta.

Tentamos nos moldar em uma cultura de determinados valores,

onde o sucesso é medido pela posse de coisas,

mas é muito mesquinho você ter

e não desfrutar daquilo que realmente deseja.

As pessoas que realizaram a oportunidade

de estourar as suas pontes de modo adequado e consistente,

não só imaginaram, atravessaram e

encontraram os objetivos do outro lado.

Os objetivos a serem perseguidos, foram construídos

dentro de uma visão clara do que se queria alcançar,

em tempo suficiente, de modo adequado,

através de fatores pessoais ou impessoais,

facilitadores ou não, enfim

o grau de comprometimento utilizado

para a sua concretização.

A visão sem ação, não passa de um sonho.

A ação sem visão é só um passatempo.

A visão com ação pode mudar o mundo.

Feios Porém Lindos

As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Era um poeta maravilhoso, esse Vinicius de Moraes, mas deixou imortalizada uma frase que jamais sairia da boca de uma mulher. Aos feios, as mulheres dão boas vindas, desde que por trás do olho que não é azul e do corpo que não é atlético haja bom humor, inteligência e sex appeal.

Nunca veremos Brad Pitt e George Clooney namorando feinhas, mas já vimos Julia Roberts casar com Lyle Lovatt, um músico que tinha o rosto decorados com crateras, e a estonteante Sharon Stone desfilar com baixinhos barrigudos até contrair matrimônio com um senhor que mais parece um boneco de cêra. Há quem defenda a ideia de que mulheres casam com qualquer um, desde que tenha poder ou dinheiro. Poucas. Não foi o caso de Julia Roberts nem o de Sharon Stone, ricas e poderosas por si só, e também não é o caso de muitas Lucias, Andreas, Cristinas, Danielas, Fernandas e Jussaras anônimas. Mulheres preferem ser amadas do que invejadas.

Essa história de beleza tem a ver com atração, que tem a ver com "a primeira impressão é a que fica", que tem a ver com inícios de relações. Se a garota for um canhão, as chances de conquistar um deus são quase zero (é uma generalização, toda regra tem exceções). Já se o garoto for feio, porém espirituoso, talentoso e auto-confiante, pode descolar o número do telefone da Marisa Monte. Lembrem-se que ela já namorou o Nando Reis, dos Titãs. Alguma coisa ele tem de lindo.

Mick Jagger é raquítico e branquela. Gerald Thomas é raquítico, branquela e usa óculos. Woody Allen é raquítico, branquela, usa óculos e está quase careca. Apesar desse quadro de horror, sei de muita mulher que não os expulsariam da sua cama. Será que elas nunca ouviram falar em Mel Gibson, Antonio Banderas, Pedro Bial? Elas nunca ouviram falar é que beleza garanta o conteúdo.

Mulher tem faro, não se contenta com a embalagem. É bem mais comum ver uma mulher linda
acompanhada de um homem aparentemente sem graça do que o contrário. Não é (só) porque a
concorrência é implacável e nos contentamos com o que sobra. É porque mulher tem raio-x: consegue olhar o que se esconde lá dentro. Se além de um belo coração e um cérebro em atividade ele ainda for apetecível, é lucro. Pena que a recíproca raramente seja verdadeira. Economizaríamos fortunas em cabeleireiros e academias se os homens fossem direto ao que interessa, na alma e no espírito, para os quais não adianta maquiagem

sábado, 3 de outubro de 2009

A matemática da vida

A matemática da vida não é simples.
Cada soma é também uma subtração.
Quando somamos mais um ano àqueles
que já vivemos, subtraímos um ano
daqueles que nos restam para viver.

Esperamos demais para fazer o que precisa
ser feito, num mundo que só nos dá um dia
de cada vez, sem garantia do amanhã.

Enquanto lamentamos que a vida é curta,
agimos como se tivéssemos à nossa
disposição um estoque inesgotável de tempo.
Esperamos demais para dizer as palavras
do perdão que devem ser ditas,
para pôr de lado os rancores que devem
ser expulsos, para expressar gratidão,
para dar ânimo, para oferecer consolo.

Esperamos demais para enunciar as preces,
para executar as tarefas que estão esperando,
para serem cumpridas, para demonstrar amor
que talvez não seja mais necessário amanhã.
Esperamos demais nos bastidores, quando
a vida tem um papel para desempenharmos no palco.

Deus também está esperando nós pararmos de esperar.
Esperando nós começarmos a fazer agora tudo aquilo
para o qual este dia e esta vida nos foram dados.
Meus amigos: É hora de viver!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Contrário do Amor

O contrário de bonito é feio,

de rico é pobre, de preto é branco,

isso se aprende antes de entrar na escola.

Se você fizer uma enquete entre as crianças,

ouvirá também que o contrário do amor é o ódio.

Elas estão erradas.

Faça uma enquete entre adultos

e descubra a resposta certa:

o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama

passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse

totalmente indiferente?

Que perdesse o sono imaginando

maneiras de fazer você se dar mal

ou que dormisse feito um anjo a noite inteira,

esquecido por completo da sua existência?

O ódio é também uma maneira de se estar com alguém.

Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações:

seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer

que esse alguém existe e que nos provoca sensações,

por piores que sejam.

Para odiar alguém, precisamos de um coração,

ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente.

Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo.

Odiar nos dá fios brancos no cabelo,

rugas pela face e angústia no peito.

Para odiar, necessitamos do objeto do ódio,

necessitamos dele nem que seja

para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira,

nossa pouca sabedoria para entendê-lo

e pouco humor para aturá-lo.

O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho,

tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém,

precisamos do quê? De coisa alguma.

A pessoa em questão pode saltar de bung-jump,

assistir aula de fraque,

ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua,

estamos nem aí. Não julgamos seus atos,

não observamos seus modos,

não testemunhamos sua existência.

Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro:

nosso corpo ignora sua presença,

e muito menos se dá conta de sua ausência.

Não temos o número do telefone das pessoas

para quem não ligamos.

A indiferença, se tivesse uma cor,

seria cor da água, cor do ar,

cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação:

ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta.

Uma criança está sempre

em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas,

mas nunca é ignorada.

Só bem mais tarde, quando necessitar

de uma atenção que não seja materna ou paterna,

é que descobrirá que o amor e o ódio

habitam o mesmo universo,

enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sentir-se Amado

O cara diz que te ama, então tá.

Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama,

então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso,

as três palavrinhas mágicas.

Mas saber-se amado é uma coisa,

sentir-se amado é outra,

uma diferença de milhas, um espaço enorme

para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos,

sexo e verbalização,

apesar de não sonharmos com outra coisa:

se o cara beija, transa e diz que me ama,

tenha a santa paciência,

vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue

nem de nada que se possa ver e tocar.

É um pacto silencioso que tem a força

de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade,

mesmo que o destino um dia

venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real

na sua vida, que zela pela sua felicidade,

que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

que sugere caminhos para melhorar,

que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas

e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando.

"Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco.

Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra

de coisas que você contou dois anos atrás,

é vê-la tentar reconciliar você com seu pai,

é ver como ela fica triste quando você está triste

e como sorri com delicadeza quando diz que você

está fazendo uma tempestade em copo d´água.

"Lembra que quando eu passei por isso

você disse que eu estava dramatizando? Então,

chegou sua vez de simplificar as coisas.

Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro

e que não transformam a mágoa em munição

na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito,

que se sente bem-vindo, que se sente inteiro.

Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada,

aquele que sabe que não existe assunto proibido,

que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro

para ser exatamente como é,

sem inventar um personagem para a relação,

pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;

quem não levanta a voz, mas fala;

quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute:

eu te amo não diz tudo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

À espera de uma paixão

Estão casados há muito tempo,

mas o que é muito tempo?

Talvez um tempo que ultrapassou a excitação

do desconhecimento mútuo,

a alegre descoberta de afinidades,

o êxtase diante do corpo alheio:

agora já possuem todas as informações,

o dossiê completo um do outro,

com seus defeitos e virtudes. Aparentemente,

nada mais há a descobrir. Dão-se bem,

conversam com facilidade, riem juntos ainda,

mas nada os diferencia de um bom casal de amigos.

O que talvez seja uma trégua mais que bem-vinda,

se o objetivo for este, a paz conjugal,

nenhum grilo falante sussurrando no ouvido esquerdo:

“é isso mesmo que você quer pro resto da vida?”

Se, ao invés de sim, a resposta for não,

não é isso que quero pro resto da vida,

não é um amigo dormindo na mesma cama

com sua tosse e seu hálito,

com suas manias diárias

e seu comportamento previsível, não,

não é isto que quero pro resto da vida,

um bom-dia num tom de voz mais que conhecido,

um boa-noite num bocejo,

todos os dias do calendário vividos

como se cumprissem uma agenda pré-programada,

tudo igual e tudo correto,

sem calafrios e sem dúvidas,

sem medo e sem assombros,

sem qualquer sobressalto,

se a resposta for não, não é isso que quero,

então por que continuar?

Segundo Fabricio Carpinejar, grande poeta,

a vida não é continuar, a vida é começar.

Tive a honra de ler em primeira mão,

antes de ser lançado, o primeiro livro de crônicas do Fabricio,

“O amor esquece de começar”.

Nele, Fabricio cita, em determinado momento,

a secreta aflição daqueles que não se separam

enquanto não surgir uma paixão

com a qual possam dividir a culpa da fuga.

Tocou num ponto nevrálgico.

Não são dois nem três,

são milhares de homens e mulheres

dizendo que estão bem,

que seu casamento é satisfatório,

mas que se surgisse uma paixão,

aí o chão poderia afundar, aí as paredes cairiam,

nem os filhos serviriam de âncora,

a cancela abriria e nenhum caminho de volta seria possível:

iriam em frente, atenderiam o chamado do amor.

Se uma paixão acontecesse, tudo ficaria explicado,

ninguém os condenaria.

Se uma paixão descesse do céu,

aí é porque estava escrito,

aí se justificaria qualquer insanidade,

ah, se uma paixão aterrissasse aqui na palma da mão,

tudo estaria solucionado.

Mas a paixão não acontece, não aterrissa,

não toca a campainha,

não quer incomodar a família tão ocupada

em ver televisão e comer a pizza de domingo,

todos presos ao relógio, tic-tac,

o tempo se repetindo metodicamente.

A paixão, do lado de fora da casa, não entra, não disca,

não bate à porta, aguarda sua hora, que não chega,

porque a saída do dono demora.

Por outro lado, não saem pra rua esposas e maridos

que têm uma vida já bem ensaiada,

a troco de quê trocá-la por um ponto de interrogação,

uma espera, uma tentativa?

Mas se a paixão arrombasse a porta,

seria outra história.

Não são dois nem três, são quinhentos,

são milhões à espera de um rapto, de um seqüestro,

de qualquer coisa que lhes absolva por antecipação:

“não tive como negar, foi uma paixão, um arrebatamento,

fui engolida por uma emoção nova, só por isso eu fui,

só por isso eu me permiti”.

Sem este álibi, quem se atreve?

A vida não é continuar, a vida é começar.

Sem o empurrãozinho de um amor novo,

sem este atordoamento emocional que torna a todos vítima,

ou ao menos cúmplices do irracional,

vamos ficando, vamos ficando.

Há que se ter muita coragem para encarar

a própria verdade sem um bom discurso de defesa.

sábado, 25 de julho de 2009

A Voz do Silêncio

Pior do que a voz que cala é um silêncio que fala.

Simples, rápido. E quanta força.

Imediatamente me veio à cabeça situações

em que o silêncio me disse verdades terríveis,

pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.

Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,

esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,

depois de uma discussão.

O perdão não vem, nem um beijo,

nem uma gargalhada

para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,

o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas

que a gente não quer ouvir,

pois ao menos as palavras que são ditas

indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento

articulam argumentos,

expõem suas queixas, jogam limpo.

Já o silêncio arquiteta planos

que não são compartilhados.

Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,

ouvimos um dos dois gritar:

'Diz alguma coisa, mas não fica

aí parado me olhando!'

É o silêncio de um mandando más notícias

para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações

em que o silêncio é bem-vindo.

Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,

o silêncio é um bálsamo.

Para a professora de uma creche,

o silêncio é um presente.

Para os seguranças de um show de rock,

o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,

quando a relação é sólida e madura,

o silêncio a dois não incomoda,

pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba é aquele que fala.

E fala alto...

É quando ninguém bate à nossa porta...

não há recados na secretária eletrônica....

e mesmo assim você entende a mensagem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

POEMA da SAUDADE

Em alguma outra vida,devemos ter feito algo muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta doí.
Bater o queixo no chão doí.
Doí morder a língua, cólica doí, doí torcer o tornozelo.
Doí bater a cabeça na quina da mesa, carie doí, pedras nos rins também doí.

Mas o que mais doí é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma brincadeira de infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade de nós mesmo, o tempo não perdoá.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se Ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ele para a trabalho,mas sabiam-se onde.
Você podia ficar sem vê-lo, e ele sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.
Contudo,quando o Amor de um acaba, ou torna-se menor no outro.
Sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Se aprendeu a entrar na internet, se aprendeu a ter calma no trânsito.
Se continua preferindo cerveja a uísque(e qual a cerveja)
Se continua sorrindo com aqueles olhos apertados, e que sorriso lindo.
Será que ele continua cantando aquelas mesmas musicas tão bem(ao menos eu admirava)?
Será que ele continua fumando e se continua adorando Mac Donald's?
Será que ele continua não amando os livros, e ela cada vez mais?
E continua não gostando de dar longas caminhadas, e ela não assistindo televisão?
Será que ele continua gostando de filmes de ação, e ela de chorar em comédias.
Será que ela continua lendo os livros que já leu?
Será que ele continua tossindo cada vez que fuma?
Saber é não saber mesmo!!!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos, não saber como encontrar
tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra,e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ele está mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se Ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti (e sinto) enquanto estive escrevendo e o que você (deveria)
provavelmente estar sentido agora depois que acabou de ler.
Quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudade!!!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Pequenas Grandes Mulheres

Há mulheres de todos os gêneros.

Histéricas, batalhadoras, frescas, profissionais, chatas, inteligentes, gostosas, parasitas, sensacionais.

Mulheres de origens diversas, de idades várias, mulheres de posses ou de grana curta.

Mulheres de tudo quanto é jeito.

Mas se eu fosse homem prestaria atenção apenas num quesito: se a mulher é do tipo que puxa pra cima ou se é do tipo que empurra pra baixo.

Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher.

Meia-verdade.

Ele pode ser grande estando sozinho também, mas com uma mulher xarope ele não vai chegar a lugar algum.

Mulher que puxa pra cima é mulher que aposta nas decisões do cara, que não fica telefonando pro escritório toda hora, que tem a profissão dela, que o apóia quando ele diz que vai pedir demissão por questões éticas e que confia que vai dar tudo certo.

Mulher que empurra pra baixo é a que põe minhoca na cabeça dele sobre os seus colegas, a que tem acessos de carência bem na hora que ele tem que entrar numa reunião, a que não avaliza nenhuma mudança que ele propõe, a que quer manter tudo como está.

Mulher que puxa pra cima é a que dá uns toques na hora de ele se vestir, a que não perturba com questões menores, a que incentiva o marido a procurar os amigos, a que separa matérias de revista que possam interessá-lo, a que indica livros, a que faz amor com vontade.

Mulher que empurra pra baixo é a que reclama do salário dele, a que não acredita que ele tenha taco pra assumir uma promoção, a que acha que viajar é despesa e não investimento, a que tem ciúmes da secretária.

Mulher que puxa pra cima é a que dá conselhos e não palpite, a que acompanha nas festas e nas roubadas, a que tem bom humor.

Mulher que empurra pra baixo é a que debocha dos defeitos dele em rodinhas de amigos e que não acredita que ele vá mais longe do que já foi.

Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, então vale o inverso também: por trás de um pequeno homem talvez exista uma mulherzinha de nada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O amor não acaba, nós é que mudamos

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

DOR FÍSICA X DOR EMOCIONAL

O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.

Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

DESPEDIDA

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de

OBRIGADO POR INSISTIR

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!

“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”

“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”

“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”

“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”

“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”

“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”

“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”

Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Voz Do Silêncio

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

Perguntas

Quantas vezes você andava na rua e sentiu um perfume e lembrou de alguém que gosta muito?
Quantas vezes você olhou para uma paisagem em uma foto, e não se imaginou lá com alguém...
Quantas vezes você estava do lado de alguém, e sua cabeça não estava ali?
Alguma vez você já se arrependeu de algo que falou dois segundos depois de ter falado?
Você deve ter visto que aquele filme, que vocês dois viram juntos no cinema, vai passar na TV...
E você gelou porque o bom daquele momento já passou...
E aquela música que você não gosta de ouvir porque lembra algo ou alguém que você quer esquecer mas não consegue?
Não teve aquele dia em que tudo deu errado, mas que no finzinho aconteceu algo maravilhoso?
E aquele dia em que tudo deu certo, exceto pelo final que estragou tudo?
Você já chorou por que lembrou de alguém que amava e não pôde dizer isso para essa pessoa?
Você já reencontrou um grande amor do passado e viu que ele mudou?

Para essas perguntas existem muitas respostas...

Mas o importante sobre elas não é a resposta em si...

Mas sim o sentimento...

Todos nós amamos, erramos ou julgamos mal...

Todos nós já fizemos uma coisa quando o coração mandava fazer outra...

Então, qual a moral disso tudo?

Nem tudo sai como planejamos portanto, uma coisa é certa...

Não continue pensando em suas fraquezas e erros, faça tudo que puder para ser feliz hoje!

Não deite com mágoas no coração.

Não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz!

E comece com você mesmo!!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

NÃO DESISTA NUNCA

Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer; quem vai acreditar?
Dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe.
Somente quando você estiver convicto daquilo que deseja e esta convicção fizer parte integrante do processo.
Mas quando ocorre este momento? Imagine uma ponte sobre um rio.
Você está em uma margem e seu objetivo está na outra.
Você pensa, raciocina, acredita que a sua realização está lá.
Você atravessa a ponte, abraça o objetivo e não olha para traz.
Estoura a sua ponte.
Pode ser que tenha até dificuldades, mas se você realmente acredita que pode realizá-lo, não perca tempo: vá e faça.
Agora, se você simplesmente não quer ficar nesta margem e não tem um objetivo definido, no momento do estouro, você estará exatamente no meio da ponte.
Já viu alguém no meio de uma ponte na hora da explosão... eu também não.
Realmente não é simples.
Quando você visualizar o seu objetivo e criar a coragem suficiente em realizá-lo, tenha em mente que para a sua concretização, alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja, facilidades e dificuldades aparecerão, mas se realmente acredita que pode fazer, os incômodos desaparecerão.
É só não se desesperar.
Seja no mínimo um pouco paciente.
Pois é, as diferenças básicas entre os três momentos são:
ESTOURAR A PONTE ANTES DE ATRAVESSÁ-LA Você começou a sonhar... sonhar... sonhar! De repente, sentiu-se estimulado a querer ou gozar de algo melhor.
Entretanto, dentro de sua avaliação, começa a perceber que fatores que fogem ao seu controle, não permitem que suas habilidades e competências o realize.
Pergunto, vale a pena insistir?
Para ficar mais tangível, imaginemos que uma pessoa sonhe viver ou visitar a lua, mas as perspectivas do agora não o permitem, adianta ficar sonhando ou traçando este objetivo?
Para que você não fique no mundo da lua, meio maluquinho, estoure a sua ponte antes de atravessá-la, rompa com este objetivo e parta para outros sonhos! ESTOURAR A PONTE NO MOMENTO DE ATRAVESSÁ-LA Acredito que tenha ficado claro, mas cabe o reforço.
O fato de você desejar não ficar numa situação desagradável é válido, entretanto você não saber o que é mais agradável, já não o é! Ou seja, a falta de perspectiva nem explorada em pensamento, não leva a lugar algum. Você tem a obrigação consciencional de criar alternativas melhores.
Nos dias de hoje, não podemos nos dar ao luxo de sair sem destino.
O nosso futuro não é responsabilidade de outrem, nós é que construímos o nosso futuro. Sem desculpas, pode começar...
ESTOURAR A PONTE DEPOIS DE ATRAVESSÁ-LA.
No início comentei sobre as pessoas que realizaram o sucesso e outras que não tiveram a mesma sorte.
Em primeiro lugar, acredito que temos de definir o que é sucesso.
Sou pelas coisas simples, sucesso é gostar do que faz e fazer o que gosta.
Tentamos nos moldar em uma cultura de determinados valores, onde o sucesso é medido pela posse de coisas, mas é muito mesquinho você ter e não desfrutar daquilo que realmente deseja.
As pessoas que realizaram a oportunidade de estourar as suas pontes de modo adequado e consistente, não só imaginaram, atravessaram e encontraram os objetivos do outro lado.
Os objetivos a serem perseguidos, foram construídos dentro de uma visão clara do que se queria alcançar, em tempo suficiente, de modo adequado, através de fatores pessoais ou impessoais, facilitadores ou não, enfim o grau de comprometimento utilizado para a sua concretização.

A visão sem ação, não passa de um sonho.
A ação sem visão é só um passatempo.
A visão com ação pode mudar o mundo.