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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

HEI DE MORRER JOVEM

Hei de morrer jovem,
na flor dos nem sei quanto anos,
com as costas arqueadas
pelo peso de uma vida,
e as pernas enfraquecidas
por trilhas, atalhos, estradas.

Hei de morrer jovem,
na flor dos meus desenganos,
com os olhos, assim, embaçados
por conta do quanto enxerguei
e a pele toda enrugada
pelo muito que semeei.

Hei de morrer certamente,
ainda que permaneçam os espinhos,
pois embora não te pareça,
jovem ainda estarei!
Pois esta foi minha escolha,
meu rito sagrado, minha lei.

Hei de morrer qualquer dia,
antes que seja tarde!
Mas só quando acabarem os poemas,
e tomara Deus que docemente!
Pois por mais que eu tenha pecado,
Ele sabe o quanto eu amei.

sábado, 27 de outubro de 2007

MULHER ENLUARADA

Procura-se uma mulher sardenta,

mais ou menos um metro e sessenta,

cabelos claros, desgrenhados,

olhos verdes e abusados.



mais sedutora que aparenta,

lábios grossos e encharcados,

doce veneno que atormenta.



Procura-se uma mulher derradeira,

com garras afiadas, guerreira,

acostumada a tecer feitiços

e não há como acabar com isto!

Diz que é a musa dos meus sonhos

e dos meus versos mais tristonhos.



Procura-se uma mulher enluarada,

pele branca e orvalhada,

envolta em fios de ternura,

desses que levam qualquer homem a loucura.

Quem souber, não se arrisque, tenha juízo!

Seu ataque é rápido e preciso...



Nem queiram saber do que ela é capaz!

TUA MAGIA

Que magia é esta que me põe do avesso?

Sequer sei se te mereço!

Só sei que me faltam pernas

e as mãos ficam suadas, trêmulas,

visão embaçada, aperto no peito e voz embargada,

prenúncio de lágrimas, prenúncio de dor.



Que magia é esta capaz de tanto desassossego?

Que me faz sentir por dentro

uma espécie de assanhamento,

me faz perder o medo

de ousar tantos e sentidos versos,

em prosas, cantigas, poemas.



Só pode ser feitiço bem feito,

consumado em noite de lua cheia,

banhado em água de cheiro,

depois sagrado nas águas às sereias,

num tributo a Mamãe Oxum.



Magia que acende a luz em meus olhos,

que faz da madrugada uma escolha

e da visão do teu corpo um martírio:

pele branca, cheirosa e macia.



Quisera eu, nunca mais amanhecer!

Só pra ficar cativo em teus braços.

Queria poder merecer o teu bem querer.

sábado, 20 de outubro de 2007

EU NÃO CONSIGO AMANHECER

Trago em meus guardados

o gosto amargo das noites mal dormidas,

inquietude que eu tenho, faz tempo,

ansiedade que arranha por dentro

e eu nem sei explicar o porquê!

Trago a fome compulsiva dos loucos,

e não há nada que possa matar minha sede,

teimosia de um tolo que vive

a percorrer caminhos estranhos,

trilhas estreitas, nubladas,

e ainda que se faça a luz,

por cegueira, eu não consigo Te ver.

Trago um coração angustiado,

ainda ontem, sufocado,

pela fumaça de nem sei quantos cigarros,

vez por outra, quando respiro engasgo,

coisas que eu tenho que reaprender.

Trago palavras molhadas, confessas,

às vezes choradas, confusas, ardidas,

às vezes suadas, salgadas, cansadas,

em outras, ejaculadas, de qualquer jeito, na pressa

de deixar marcas, registros, um grito!

E quase sempre com cheiro de sangue,

feridas expostas, destroços, poemas,

por mais que o sol nasça todos os dias,

aqui dentro eu não consigo amanhecer.