sexta-feira, 2 de abril de 2010

Valorize a esperança.

Já se disse que a “esperança é o sonho do homem acordado”.



Mas como nem todos gostam de sonhar, às vezes ela é desprezada, apesar de fazer parte da própria natureza humana.



A esperança não pode ser vista ou tocada, porém pode ser sentida, experimentada, desejada.



Para que apareça, devemos valorizá-la, buscar os meios e modos de levá-la no peito, na alma.



Às vezes isso não é tarefa fácil, principalmente quando as dificuldades se acentuam, e tudo nos chama

para o caminho do desespero do desânimo.



Nesses momentos, acredite na sua força interior.

AGRADEÇA SEMPRE

Nem todas as pessoas têm o hábito de agradecer.



Quando o fazem, é quase sempre porque algo

lhes trouxe alegria, vantagem ou sucesso.



Esquecemos os benefícios que advém dos insucessos, das experiências que eles produzem, dos males que nos evitam no futuro e do crescimento interior que nos proporcionam.



Os insucessos, os revezes são próprios da vida.



São como a pimenta em uma refeição:

uma pitada dá um sabor especial ao prato todo.

Procure conhecer-se

Vá ao encontro do seu íntimo, do EU, da alma, e dê a si mesmo atenções e alegrias possantes.



Ative-se com as “eletricidades” internas,

mesmo que se choque de início.



Não se oponha aos impulsos de bondade, de cumprir o dever, de energia e ação que achar dentro de si.



Cresça! Avance!



As forças progressistas estão com você.



Use-as e não sofrerá de solidão, de vazio, de tristeza.



Quanto mais você se conhece, mais você se realiza.

Quando o proximo se torna proximo

Estamos vivendo a Páscoa.
É tempo de pensar no próximo...
Já repararam na palavra usada por Cristo
Quando nos manda amar os outros?
“Ama teu próximo”.
Até que não é difícil a gente se emocionar
Quando uma calamidade
Atinge um país distante
E deixa desabrigadas e com fome
Milhares de famílias!
Mas o difícil, o duro
É amar quem está perto...
Quem é nosso vizinho...
Quem trabalha conosco...
Quem pertence à nossa comunidade!
O difícil não é amar o distante...
É amar o próximo.
Por isso, eu te proponho,
Meditarmos juntos:
Quando o próximo
Para nós
Realmente se torna próximo
E nós o vemos,
E ouvimos
Fazendo nossos
Os sofrimentos dele
E alegrando-nos, de verdade,
Com suas alegrias;
Quando Vizinho
Não é palavra vazia...
Quando Vizinho
Tem nome e sobrenome,
Tem feições
Tem História!
Quando toda e qualquer pessoa
É alguém para nós, nossa
Religião
Está saindo das nuvens; está se encarnando!
Esta é a Páscoa. Esta é
A verdadeira passagem:
Quando conseguimos entender
A mensagem que diz:
Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão
E depois...e depois...
Vem fazer a Deus tua oração

A PÁSCOA ESTÁ CHEGANDO.

A páscoa é uma oportunidade de trabalho para os desempregados.
Portanto, irmão, se você estiver sem trabalho, peça a orientação do
Senhor para que Ele abençoe o trabalho de suas mãos. Então trabalhe
com o chocolate nesta época e o fruto de seu trabalho, é de fato,
abençoador.

Porém deve-se mudar o pensamento no sentido em vez de ser consumidor
passe a ser produtor. Isto mesmo, produza. Esta é a hora de você
passar ser um produtor em potencial de “ovos de chocolate”, “Ovos de
Avestruz”. Hoje em dia os ovos variam de tamanho que não se pode dizer
que é ovo, e sim um enorme chocolate.

A oportunidade cabe a você meu amigo. Suas mãos já estão abençoadas,
pelo fato, de que você as ajuntas para orar e humildemente pedir ao
Senhor as bênçãos. Por isso mãos às obras, prepare o seu material e
trabalhe de modo que seja um produto que vá satisfazer às necessidades
de consumo de alguém.

Por outro lado gostaria de compartilhar a Páscoa que Jesus trouxe ao
mundo. A páscoa que significa liberdade, paz, salvação, perdão. O
significado de Páscoa para os cristãos é a lembrança da entrega de
vida de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sua vida constitui um
alicerce para ligarmos ao Criador. Significa a lembrança da liberdade
que alcançamos por meio de Seu sacrifício na cruz do Calvário.

Esta liberdade pode-se entender como você alcançou a plenitude
espiritual entre você e Deus. Você que está em Cristo, verdadeiramente
as correntes que o prendia, agora, não as prende mais. Correntes de
opressões se tornaram corrente de alegria por Cristo Jesus.

Por fim amigo (a) a Páscoa vai além de ensinos demagógicos, parte-se
do interior e da paz que você pode encontrar em Jesus Cristo. Como diz
o profeta: “O castigo que nos trouxe a paz”, “Por suas pisaduras fomos
sarados”. Observe atentamente que para obtermos a paz, o perdão de
transgressões foi necessário que Ele tomasse o meu lugar e o seu.
Então Páscoa é você proclamar a si mesmo e ao mundo que você se tornou
livre por meio exclusivo de Jesus Cristo, o Senhor, Rei meu e Deus meu.

Um grande abraço.
No Senhor Jesus.

APRENDAMOS COM JESUS

Pela ressurreição, a cruz é abençoado martírio.
Pela paz sublime da morte, as angústias da existência carnal são olvidadas.
Pelo ouro que transportam, as pedras se fazem preciosas.
Pela restituição da saúde, as chagas inspiram respeito.
Pelas flores, os acúleos, ainda que pontiagudos e venenosos, devem ser perdoados.
Pela dor, santificaremos o amor.
Pela renúncia, realizaremos a verdadeira conquista.
Há problemas e posições que não se modificam facilmente quando não sabemos ceder.
Aprendamos com o Cristo, que se confiou ao madeiro do extremo sacrifício como quem tudo perdia para finalmente tudo possuir na senda dos séculos.

NEle, o nosso Mestre e Senhor, temos a diretriz, o conselho e o ensinamento.

O Pão Nosso de Cada Dia Dá-nos Hoje

O Pão Nosso de Cada Dia Dá-nos Hoje
O pão nosso de cada dia não é somente o almoço e o jantar, o café e a merenda.

É também a idéia e o sentimento, a palavra e a ação.

Para que reine a saúde com alegria, em torno de nós, precisamos de nossas refeições, mas necessitamos também de paz e esperança, de fé e valor moral.

Com os nossos modos de agir, operamos sobre os outros.

Conversando, distribuímos nossos pensamentos.

Nossos atos influenciam os que nos cercam, segundo as nossas intenções.

Por isso, também os outros nos alimentam com as suas atitudes.

Se estimamos as conversações deprimentes, se buscamos a leitura de natureza inferior, depressa nos vemos alterados e perturbados, sem disso nos apercebermos.

As nossas companhias falam claramente de nós.

Nossas leituras revelam nosso intimo.

Procuremos, desse modo, o pão espiritual que nos garanta a harmonia interior, que conserve o nosso caráter firme sobre os alicerces do bem, que nos guarde contra a maldade e que nos ajude a ser exemplos de compreensão e fraternidade.

Em Jesus temos o pão que desceu do Céu.

E, ainda hoje, o Mestre continua alimentando o pensamento da Humanidade, por intermédio de um Livro - o

Evangelho Divino, em que ele nos ensina, através da bondade e do amor, o caminho de nossa felicidade para sempre.

O que vai em você

O que fala o seu coração?*
Estou feliz e preenchido,
ou vazio e carente, todo mexido?

*O que reflete o seu rosto?*
Alegria e contentamento,
ou preocupação e tormento?

*O que sai da sua boca,*
palavras doces que aproximam,
ou reclamações que não terminam,
que afastam até os que te admiram?

*Vigie-se!*
As vezes entramos em uma rotina de lamentações,
começamos acreditar em azar e assombrações,
sendo que o que nos leva para baixo,
são sempre os nossos pés, os nossos pensamentos,
uma mistura de desgosto com ressentimentos.

*Se o momento é bom, curta, aproveite ao máximo.*
Distribua sorrisos e faça o bem sem olhar a quem.
Mas, se o momento é ruim, *levante a cabeça,**
enxugue ás lágrimas e olhe para o céu.*
Se está azul, é sinal de confiança,
se está cinza e chuvoso, sinal de esperança.
Lembre-se: precisamos do sol para aquecer,
e da chuva para germinar e florir.
Tudo feita para você se alegrar e sorrir.
acreditar que tudo é possível, e assim, vencer.
Acreditar em tudo, sobretudo em você.

*Você vai vencer!*

A VIDA E AS ESTAÇÕES

Eu queria que a vida fosse dividida em quatro estágios, mas que
não acabasse nunca
A infância é como a primavera. É pura novidade e um calor que
não sufoca nem faz pensar bobagens. Tem uma inocência quase cafona,
uma singeleza clássica, e traz no íntimo a certeza de que pela frente
vem coisa boa. A gente quer que passe logo, mas sabe que nunca mais
será tão protegido, a mordomia não será eterna. É quando as coisas
acontecem pela primeira vez, é quando num arbusto verde vemos surgir
alguns vermelhos, é surpresa, a primeira de uma série.
A adolescência é como o verão. Quente, petulante, libidinosa.
Parece que não vai haver tempo para fazer tudo o que se quer e
o que se teme. É musical e fotogênica. Dúvidas, dúvidas, dúvidas em
frente ao mar. Mergulha-se no profundo e no raso. Pouca roupa, pouca
bagagem. Curiosidade. Vontade que dure para sempre, certeza de que
passa.
Noção do corpo. Festas e religião. Amor e fé.
A maturidade é como o outono. Um longo e instável outono,
que alterna dias quentes e frios, que nos emociona e nos gripa.
Há mais beleza e o ar é mais seco, porém é quando se colhem os
melhores abraços. Ficar sozinho passa a não ser tão aterrorizante.
Fugimos para a praia, fugimos para a serra, as idéias aprendem a se
movimentar, a fazer a mala rápido, a trocar de rota se o desejo se
impuser, e não é preciso consultar o pai e a mãe antes de errar. É o
outono que tentamos conservar.
O inverno é como a velhice. Tem sua beleza igualmente, exige
lã, bolsa de água quente, termômetro e uma janela bem vedada. O que
não queremos que entre? Maus presságios. O inverno é frio como
despedida de um grande amor, mas sabemos que tudo voltará a ser ameno.
Queremos que passe, temos medo que termine. Ficar sozinho volta a ser
aterrorizante. O inverno é branco, é cinza, é prata. É grisalho.

E, de repente, também passa.
Eu queria que tudo fosse verdade, que a vida fosse assim
dividida em quatro estágios que mais parecem estações do ano, mas que
não acabasse, que depois do inverno viesse outra primavera, e outro
verão, e outro outono, que nunca são iguais, mas sempre se repetem,
sempre voltam, são tão certos quanto o sol e a lua, todo dia, toda
noite. Eu queria.

HÁ PESSOAS

" Há pessoas que querem ser bonitas
para chamar a atenção...

Outras desejam a inteligência para
serem admiradas...

Mas há algumas que procuram cultivar a Alma
e os Sentimentos.

Essas alcançam a admiração de todos,
porque além de belas e inteligentes
tornam-se realmente
PESSOAS!"

Alegre-se.

A paz se firma à medida que a alegria é usada.

O sorriso aprofunda a paz e faz com que ela resista

aos contratempos, sejam quais forem.

Com a tristeza, não há como enfrentá-los.

Como uma pessoa enfraquecida na paz poderá

sair-se bem dos momentos difíceis?

Sorria. Tenha sempre com você lembranças

de fatos felizes, de reserva.

Um bom olhar, uma boa palavra, um bem que

você faz constituem uma fortaleza de

paz que nada pode derrubar.

Mais alegria, mais paz.

VIA CRUCIS

¿En qué consiste?

Es recordar con amor y agradecimiento lo mucho que Jesús sufrió por salvarnos del pecado. Te animarás a cargar con las cruces de cada día, si recuerdas con frecuencia las estaciones o pasos de Jesús hasta su muerte en la Cruz.

¿Cuáles son las promesas de Jesucristo a los devotos del via crucis?

A la edad de 18 años, Estanislao, joven español, ingresó al noviciado de los "Hermanos de las escuelas cristianas" , en Bugedo (Burgos, España). En la vida religiosa, este joven tomó los votos de religión que son: el cumplimiento de los reglamentos, avanzar en la perfección cristiana; y alcanzar el amor puro. En el mes de octubre de 1926, este hermano se ofreció a Jesús por medio de María Santísima. Poco después de haber hecho esta donación heroica de sí mismo, el joven religioso enfermó y meses después, murió. Fue en marzo de 1927.

Según el maestro de novicios, Estanislao era un alma escogida de Dios que recibía mensajes del cielo. Sus confesores y teólogos reconocieron estos hechos sobrenaturales como actos insignes. Su director espiritual le había ordenado escribir todas las promesas transmitidas por Nuestro Señor, entre otras las relacionadas con los devotos del via crucis.

Promesas para los devotos del Via Crucis

1.- Yo concederé todo cuanto se me pidiere con fe, durante el rezo del Via Crucis.
2.- Yo prometo la vida eterna a los que, de vez en cuando, se aplican a rezar el Via Crucis.
3.- Durante la vida, yo les acompañaré en todo lugar y tendrán Mi ayuda especial en la hora de la muerte.
4.- Aunque tengan más pecados que las hojas de las hierbas que crece en los campos, y más que los granos de arena en el mar, todos serán borrados por medio de esta devoción al Via Crucis. (Nota: Esta devoción no elimina la obligación de confesar los pecados mortales. Se debe confesar antes de recibir la Santa Comunión.)
5.- Los que acostumbran rezar el Vía crucis frecuentemente, gozarán de una gloria extraordinaria en el cielo.
6.- Después de la muerte, si estos devotos llegasen al purgatorio, Yo los libraré de ese lugar de expiación, el primer martes o viernes después de morir.
7.- Yo bendeciré a estas almas cada vez que rezan el Via Crucis; y mi bendición les acompañará en
todas partes de la tierra. Después de la muerte, gozarán de esta bendición en el Cielo, por toda la eternidad.
8.- A la hora de la muerte, no permitiré que sean sujetos a la tentación del demonio. Al espíritu maligno le despojaré de todo poder sobre estas almas. Así podrán reposar tranquilamente en mis brazos.
9.- Si rezan con verdadero amor, serán altamente premiados. Es decir, convertiré a cada una de estas almas en Copón viviente, donde me complaceré en derramar mi gracia.
10.- Fijaré la mirada de mis ojos sobre aquellas almas que rezan el Vía Crucis con frecuencia y Mis Manos estarán siempre abiertas para protegerlas.
11.- Así como yo fui clavado en la cruz, igualmente estaré siempre muy unido a los que me honran, con el rezo frecuente del Vía Crucis.
12.- Los devotos del Vía Crucis nunca se separarán de mí porque Yo les daré la gracia de jamás cometer un pecado mortal.
13.- En la hora de la muerte, Yo les consolaré con mi presencia, e iremos juntos al cielo. La muerte será dulce para todos los que Me han honrado durante la vida con el rezo del Vía Crucis
14.- Para estos devotos del Vía Crucis, Mi alma será un escudo de protección que siempre les prestará auxilio cuando recurran a Mí..


¿Cómo se reza el Via Crucis?

ORACIONES INICIALES

Alma de Cristo, santifícame.
Cuerpo de Cristo, sálvame.
Sangre de Cristo, embriágame.
Agua del costado de Cristo, lávame.
Pasión de Cristo, confórtame.
Oh buen Jesús, óyeme.
Dentro de tus llagas, escóndeme.
No permitas que me aparte de Ti.
Del maligno enemigo, defiéndeme.
En la hora de mi muerte, llámame y mándame ir a Ti,
para que con tus santos te alabe, por los siglos de los siglos. Amén.

Por la señal, de la Santa Cruz de nuestros enemigos líbranos, Señor, Dios nuestro.

En el nombre del Padre y del Hijo y del Espíritu Santo. Amén.

ACTO DE CONTRICCIÓN

Señor mío Jesucristo, Dios y hombre verdadero, Creador, Padre y redentor mío; por ser Vos quien sois, Bondad infinita, y porque os amo sobre todas las cosas, me pesa de todo corazón de haberos ofendido; también me pesa porque podéis castigarme con las penas del infierno. Ayudado de vuestra divina gracia, propongo firmemente nunca más pecar, confesarme, y cumplir la penitencia que me fuere impuesta. Amén.


1ª ESTACIÓN:

JESÚS SENTENCIADO A MUERTE

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Sentenciado y no por un tribunal, sino por todos. Condenado por los mismos que le habían aclamado poco antes. Y El calla...

Nosotros huimos de ser reprochados. Y saltamos inmediatamente...
Dame, Señor, imitarte, uniéndome a Ti por el Silencio cuando alguien me haga sufrir. Yo lo merezco. ¡Ayúdame!

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

2ª ESTACIÓN:

JESÚS CARGADO CON LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Que yo comprenda, Señor, el valor de la cruz, de mis pequeñas cruces de cada día, de mis achaques, de mis dolencias, de mi soledad.
Dame convertir en ofrenda amorosa, en reparación por mi vida y en apostolado por mis hermanos, mi cruz de cada día.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

3ª ESTACIÓN:

JESÚS CAE, POR PRIMERA VEZ, BAJO EL PESO DE LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Tú caes, Señor, para redimirme. Para ayudarme a levantarme en mis caídas diarias, cuando después de haberme propuesto ser fiel, vuelvo a reincidir en mis defectos cotidianos.
¡Ayúdame a levantarme siempre y a seguir mi camino hacia Ti!

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

4ª ESTACIÓN:

ENCUENTRO CON LA VIRGEN

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Haz Señor, que me encuentre al lado de tu Madre en todos los momentos de mi vida. Con ella, apoyándome en su cariño maternal, tengo la seguridad de llegar a Ti en el último día de mi existencia.
¡Ayúdame Madre!

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

5ª ESTACIÓN:

EL CIRINEO AYUDA AL SEÑOR A LLEVAR LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Cada uno de nosotros tenemos nuestra vocación, hemos venido al mundo para algo concreto, para realizarnos de una manera particular. ¿Cuál es la mía y cómo la llevo a cabo?
Pero hay algo, Señor, que es misión mía y de todos: la de ser Cirineo de los demás, la de ayudar a todos.
¿Cómo llevo adelante la realización de mi misión de Cirineo?

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

6ª ESTACIÓN:

LA VERÓNICA ENJUGA EL ROSTRO DE JESÚS

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Es la mujer valiente, decidida, que se acerca a Ti cuando todos te abandonan. Yo, Señor, te abandono cuando me dejo llevar por el "qué dirán", del respeto humano, cuando no me atrevo a defender al prójimo ausente, cuando no me atrevo a replicar una broma que ridiculiza a los que tratan de acercarse a Ti. Y en tantas otras ocasiones.

Ayúdame a no dejarme llevar por el respeto humano, por el "qué dirán".
Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

7ª ESTACIÓN:

SEGUNDA CAÍDA EN EL CAMINO DE LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Caes, Señor, por segunda vez. El Via Crucis nos señala tres caídas en tu caminar hacia el Calvario. Tal vez fueran más.
Caes delante de todos... ¿Cuándo aprenderé yo a no temer el quedar mal ante los demás, por un error, por una equivocación?. ¿Cuándo aprenderé que también eso se puede convertir en ofrenda?

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro


8ª ESTACIÓN:

JESÚS CONSUELA A LAS HIJAS DE JERUSALÉN
Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Muchas veces, tendría yo que analizar la causa de mis lágrimas. Al menos, de mis pesares, de mis preocupaciones. Tal vez hay en ellos un fondo de orgullo, de amor propio mal entendido, de egoísmo, de envidia.
Debería llorar por mi falta de correspondencia a tus innumerables beneficios de cada día, que me manifiestan, Señor, cuánto me quieres.
Dame profunda gratitud y correspondencia a tu misericordia.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

9ª ESTACIÓN:

JESÚS CAE POR TERCERA VEZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Tercera caída. Más cerca de la Cruz. Más agotado, más falto de fuerzas. Caes desfallecido, Señor.
Yo digo que me pesan los años, que no soy el de antes, que me siento incapaz.
Dame, Señor, imitarte en esta tercera caída y haz que mi desfallecimiento sea beneficioso para otros, porque te lo doy a Ti para ellos.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

10ª ESTACIÓN:

JESÚS DESPOJADO DE SUS VESTIDURAS

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Arrancan tus vestiduras, adheridas a Ti por la sangre de tus heridas.
A infinita distancia de tu dolor, yo he sentido, a veces, cómo algo se arrancaba dolorosamente de mí por la pérdida de mis seres queridos. Que yo sepa ofrecerte el recuerdo de las separaciones que me desgarraron, uniéndome a tu pasión y esforzándome en consolar a los que sufren, huyendo de mi propio egoísmo.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

11ª ESTACIÓN:

JESÚS CLAVADO EN LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Señor, que yo disminuya mis limitaciones con mi esfuerzo y así pueda ayudar a mis hermanos. Y que cuando mi esfuerzo no consiga disminuirlas, me esfuerce en ofrecértelas también por ellos.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro.

12ª ESTACIÓN:

JESÚS MUERE EN LA CRUZ

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Te adoro, mi Señor, muerto en la Cruz por Salvarme. Te adoro y beso tus llagas, las heridas de los clavos, la lanzada del costado... ¡Gracias, Señor, gracias!
Has muerto por salvarme, por salvarnos. Dame responder a tu amor con amor, cumplir tu Voluntad, trabajar por mi salvación, ayudado de tu gracia. Y dame trabajar con ahínco por la salvación de mis hermanos.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

13ª ESTACIÓN:

JESÚS EN BRAZOS DE SU MADRE

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Déjame estar a tu lado, Madre, especialmente en estos momentos de tu dolor incomparable. Déjame estar a tu lado. Más te pido: que hoy y siempre me tengas cerca de Ti y te compadezcas de mí.
¡Mírame con compasión, no me dejes, Madre mía!

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

14ª ESTACIÓN:

EL CADÁVER DE JESÚS PUESTO EN EL SEPULCRO

Te adoramos, Señor, y te bendecimos, porque por tu santa cruz redimiste al mundo.

Todo ha terminado. Pero no: después de la muerte, la Resurrección. Enséñame a ver lo transitorio y pasajero, a la luz de lo que perdura. Y que esa luz ilumine todos mis actos. Así sea.

Señor, pequé, ten piedad y misericordia de mí.

Se reza a continuación un Padrenuestro

ORACIÓN FINAL

Te suplico, Señor, que me concedas, por intercesión de tu Madre la Virgen, que cada vez que medite tu Pasión, quede grabado en mí con marca de actualidad constante, lo que Tú has hecho por mí y tus constantes beneficios. Haz, Señor, que me acompañe, durante toda mi vida, un agradecimiento inmenso a tu Bondad. Amén.

Virgen Santísima de los Dolores, mírame cargando la cruz de mi sufrimiento; acompáñame como acompañaste a tu Hijo Jesús en el camino del Calvario; eres mi Madre y te necesito. Ayúdame a sufrir con amor y esperanza para que mi dolor sea dolor redentor que en las manos de Dios se convierta en un gran bien para la salvación de las almas. Amén.

Opinião...

Humildade e Hierarquia no Ritual do Lava-pés
A Quaresma é tempo de reflexão para os católicos. O uso da razão e da ciência podem nos ajudar a pensar o sentido e o efeito de práticas religiosas que experimentamos em nossas vidas. Esta análise da cerimônia do Lava-pés pretende contribuir para o discernimento que acompanha o tempo da Quaresma.


1. RITOS DE PASSAGEM E RITOS DE INVESÃO DE STATUS

Victor Turner trouxe para a antropologia uma interessante e inovadora visão da análise do ritual na vida em sociedade, em seu livro de 1969 "The Ritual Process - Structure and Anti-structure".
Seguindo a tradição de Van Gennep, Turner confere uma expressiva importância aos "ritos de passagem". No último capítulo de seu livro que tem o significativo título de "Humildade e Hierarquia" separa os ritos de passagem associados com o ciclo de vida dos indivíduos (como os relacionados com o nascimento, casamento e morte, por exemplo) de outros ritos de passagem, os ritos sazonais. Estes últimos envolvem inteiras coletividades. Caracterizam-se, em determinados pontos culturalmente definidos do ciclo sazonal, pelo exercício de posições de autoridade ritual por grupos ou categorias de pessoas de baixo status na vida cotidiana sobre os seus superiores. Turner os denomina "rituais de inversão de status". Acrescenta que "são, freqüentemente, acompanhados por intenso comportamento verbal e não verbal, no qual os inferiores insultam ou até maltratam fisicamente seus superiores". Este é, para Turner, um momento em que é suspensa a estrutura e mecanismos simbólicos e mitológicos assumem a predominância. Os ritos sazonais expressam, em geral, a passagem da escassez para a abundância ou da abundância para a escassez.
Uma característica comum a diversos ritos de passagem é o do desempenho de papéis de humildade por noviços. Há mesmo casos de rituais políticos, como a escolha do rei em comunidades tribais do Gabão, em que o escolhido é insultado e fisicamente agredido pela mesma multidão que o quis como soberano. Após um momento de silêncio, o tumulto e a agressão são suspensos e substituídos pela investidura solene e respeitosa do novo rei. Turner lembra, ainda, o Haloween norte-americano, como um ritual de inversão de status, onde as crianças mascaradas, tornam-se, apenas por uma noite, as poderosas donas do espaço público, exigindo pagamentos em balas e doces para não causarem pequenos prejuízos ou problemas aos adultos. Há, também, rituais de inversão dos papéis sexuais. Eu mesmo tive a oportunidade, em meu livro sobre o Xingu de 1975, de descrever o ritual do Iamuricumã, no qual as mulheres assumem o pátio da aldeia, domínio dos homens na vida normal. Desempenham, durante dos dias do ritual, os status e os papéis sociais de poder e prestígio político característicos do sexo masculino, tendo o direito de bater nos homens e brincar insultando-os.
Turner identifica duas funções nos rituais de inversão de status. A primeira é psicológica, pois a inversão momentânea dos papéis de poder geraria maior aceitação da inferioridade pelos que a vivem no cotidiano. A segunda seria sociológica, pois a inversão momentânea dos papeis sociais, a anti-estrutura, seria fundamental para reforçar a própria estrutura e assim, as hierarquias do cotidiano.
Como veremos a seguir, este quadro conceitual aplica-se e pode ajudar a problematizar a discussão da cerimônia do Lava-pés e de alguns aspectos importantes da prática cristã.

II - O LAVA-PÉS NA TRADIÇÃO CRISTÃ

A cerimônia do Lava-pés fundamenta-se no Evangelho de São João:
1 Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a hora de passar deste mundo para o Pai. E, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o propósito de entregá-lo. 3 Jesus sabia que o Pai lhe tinha colocado todas as coisas nas mãos; sabia que tinha saído de Deus e para Deus voltava. 4 Levantou-se então da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Depois derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha da cintura.
6 Ao chegar a Simão Pedro, este lhe disse: "Senhor, tu me lavas os pés?"7 Jesus respondeu-lhe: "O que estou fazendo não o entendes agora. Mais tarde o compreenderás". 8 "Jamais me lavarás os pés"–disse Pedro. Jesus respondeu: "Se não te lavar os pés, não terás parte comigo". 9 Simão Pedro disse: "Então, Senhor, não só os pés mas também as mãos e a cabeça". 10 Jesus lhe disse: "Quem se banhou precisa lavar só os pés, pois está todo limpo. Vós estais limpos mas nem todos". 11 Jesus sabia quem havia de entregá-lo. Por isso disse: "Nem todos estais limpos".
(Evangelho de São João, XIII, 1-11).
Este trecho da Escritura é, desde os tempos de Santo Agostinho, reproduzido na liturgia Católica e de outras igrejas cristãs e integra os ritos da Semana Santa.
Na cerimônia do Lava-pés dos tempos de hoje, o papel de Jesus é representado pelos detentores dos status mais altos da hierarquia de uma dada congregação. Até 1955, o Lava-pés só acontecia nas catedrais. Trata-se de um evidente ritual de inversão de status, na forma definida por Victor Turner, pois alguém que detém uma alta posição, por um momento, apenas um dia durante o ano, desempenha um papel de humildade para mais à frente reassumir, no cotidiano, sua posição de poder. Assim, a cena paradigmática seria a de um prelado vestido com luxo e símbolos de poder assumindo o papel humilde de lavar os pés de pessoas pobres, socialmente inferiores. Esta cena manifesta o período histórico em que as altas posições da Igreja eram reservadas para os nascidos na nobreza.
Aplicando-se o sistema analítico desenvolvido por Turner à cerimônia do Lava-pés, sua função seria a de reforçar as hierarquias sociais, o papel de superioridade do que lava os pés frente ao papel de inferioridade daquele que tem os pés lavados. A inversão momentânea dos status de humildade e poder teria o efeito de reforçar as hierarquias vigentes no cotidiano.

III - O TEMPO DIVINO E O TEMPO HUMANO

Cristo desenvolve, durante o Lava-pés, como em quase toda a História Sagrada, a pedagogia do exemplo, pois se investe voluntariamente de posição de extrema humildade para, então, ensinar que tal posição, que assume por um instante, deverá ser reproduzida eternamente por seus discípulos, uns com os outros. Todos deverão lavar os pés de todos para sempre, se até mesmo Ele assim o fez. A inversão voluntária de status entre Deus e homem ao longo do Novo Testamento e, especialmente, no instante da inversão das incomensuráveis relações de Poder ocorrida durante a crucificação é um dos grandes paradoxos do Texto Sagrado e, como tal, a afirmação, da própria divindade de Cristo. Por isto, a genealogia real de Cristo, que o vincula à Casa de Davi, faz mais sentido para a cultura religiosa judaica, que requeria um messias descendente daquele rei, do que para o discurso cristão que se consolidaria ao longo dos séculos, que iria buscar o Cristo que se faz humilde, igual e solidário por sua própria vontade.
A pedagogia do exemplo é explicitada pelo próprio Cristo, quando após o Lava-pés, apresenta uma pergunta e sua resposta aos apóstolos:
"12 Depois de lavar-lhes os pés, vestiu o manto, pôs-se de novo à mesa e perguntou-lhes: "Sabeis o que vos fiz? 13 Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. 14 Se pois eu, Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo que eu vos fiz."
(João, XIII, 12-15)
Vivendo sua condição divina, tudo o que Cristo faz é para sempre. O tempo divino é eterno e sem rupturas. Há uma continuidade essencial que vem do infinitamente antes e vai ao infinitamente depois do Seu nascimento e da Sua morte e ressurreição, passando pelo evento do Lava-pés e por todos os demais acontecimentos de Sua vida. O tempo fica como que cristalizado em cada ato divino, pois Deus, mesmo feito homem, é eterno e Suas ações também o são. Ele faz-se igual, ou até menor, apenas por um ato generoso de vontade. O paradoxo do Deus que se faz humilde, não exprime hierarquias, como as existentes entre os homens, mas algo muito maior: Seu amor pelo ser humano. A expressão "hierarquia" é, em si, inadequada para descrever a proximidade e a distância entre Deus e o homem.
Já o tempo humano segmenta e divide. Cristo institui o preceito de que todos devem lavar os pés de todos para sempre. Não é um acaso que o simbolismo da humildade do Lava-pés preceda cronológica e logicamente o simbolismo da partilha da Ultima Ceia, pois a relação de solidariedade (partilha) é conseqüência da prévia atitude humilde dos que dela participam. Tanto a atitude de humildade ditada pela emoção e por valores, como a relação concreta de solidariedade entre os seres humanos dela decorrente deveriam repetir-se todos os dias do ano de todos os anos e não, apenas, durante uma data aprazada, com o efeito - em geral inconsciente, é verdade - de reforçar as assimetrias de poder, prestígio e dinheiro no restante do ciclo. Considerando tais circunstâncias, aquele que lava os pés não deveria imitar o Cristo, que faz uma concessão temporária para fins de conversão de Seus seguidores, mas seguir o Cristo que propõe uma relação de igualdade projetada para a eternidade.
A repercussão do mapeamento litúrgico das emoções ao longo de um calendário anual (recolhimento na Quaresma, humildade no Lava-pés, alegria no Natal e na Páscoa, tristeza na Sexta Feira Santa, por exemplo) no reforço das hierarquias sociais, por meio dos rituais que lhes são próprios, encontram paralelos em outras datas cristãs. Alguns hábitos transpuseram as paredes da igreja. Um bom exemplo é o impressionante comportamento de muitas pessoas que "tornam-se boas" durante o Natal e vão às favelas, algumas adornadas por bizarros gorros vermelhos e entoando canções natalinas, presentear as mesmas crianças pobres que matam ou contribuem para que morram, durante o ano todo, com as práticas comerciais, a violência, a corrupção, o comportamento político ou, simplesmente, a omissão, que vivem em seu dia a dia.

Judas Iscariotes e São Pedro

Judas Iscariotes e São Pedro Revista Catolicismo
Judas não se tornou Apóstolo por vontade própria, mas pela Vontade de Cristo: "Não fui Eu que vos escolhi a vós doze? No entanto, um de vós é um demônio" (Jo 6, 70).



A prisão de Cristo



— Duccio di Buoninsegna (1308-11), Museu da Obra, Catedral de Siena (Itália)
Caiu-me recentemente nas mãos um opúsculo intitulado Judas Iscariotes1. O personagem é muito conhecido e dispensa apresentações. A Semana Santa é a ocasião ideal para meditar sobre sua infame traição.
Pode ser que o leitor já se tenha deparado com algum Judas pelo caminho, ainda que revestido de outro nome. O caráter do traidor, porém, é sempre o mesmo, e a descrição desse caráter é que torna atraente o opúsculo que li e que desejo pôr em comum com o leitor. O contraste com o Iscariotes põe em realce também o modo de agir infinitamente santo de Nosso Senhor Jesus Cristo, contendo mistérios insondáveis para nós, criaturas de inteligência limitada. Feitas essas rápidas considerações, passo diretamente às citações2.
***
A fé e o afeto de Judas por Cristo eram, no começo, nobres e dignos. Também Judas se sentiu, então, entusiasmado por Cristo. Muitos doentes e possessos foram curados por ele, e muitas aldeias da Galiléia e da Judéia receberam dele as primeiras noções sobre Jesus.
É possível até que o Mestre tenha colocado Judas acima de alguns dos Doze, pois, segundo o testemunho do Evangelho, confiou-lhe o importante cargo de administrador da bolsa comum (cfr. Jo 12, 6). É provável que, por essa razão, alguns dentre os Apóstolos se sentissem preteridos.
Se não era mau por ocasião da sua vocação, deve ter-se tornado mau — quem seria capaz de crê-lo! — na companhia de Jesus. E é isto o que mais nos assombra: que um homem tenha podido fazer-se um demônio junto do próprio Cristo! No momento em que decide trair Cristo e no momento em que leva a cabo a traição, em ambas as vezes os Evangelhos dizem que Satanás entrou nele (cfr. Lc 22, 3 e Jo 13, 27). Quem abandona as alturas, como o Iscariote, cai pelo seu próprio peso nos mais profundos abismos.

Santa Maria Madalena — Autor anônimo, séc. XVIII, Mosteiro de Santa Clara, Quito (Equador)



Judas, o egocêntrico



O poder das trevas aliou-se, portanto, a Judas e serviu-se desse infeliz para levar a cabo um objetivo que excede em vileza toda a miséria humana; porque há pecados que não podem ser cometidos a não ser sob o influxo do inferno.
Como explicar essa inaudita transformação? Ninguém se torna amigo fiel ou traidor de Cristo de uma hora para a outra. Judas perdeu-se por se ter encerrado obstinadamente no seu próprio eu. Nada estava acima dos seus próprios pensamentos egoístas, e semelhante atitude era já uma traição ao Senhor, muito antes de se concretizar naquela venda infame.
O Senhor [vendo que muitos se afastavam dEle, após ter anunciado a Eucaristia] quis também colocar os Doze perante o dilema: Quereis vós também retirar-vos? Pedro exclamou, respondendo com comovida confiança: Senhor, a quem iríamos? Só Tu tens palavras de vida eterna. Judas, pelo contrário, remoeu-se no seu íntimo, sem no entanto se atrever a recriminar Jesus por ter renunciado ao reino [temporal] e destruído com essas palavras todos os sonhos de poder e de glória que o Apóstolo havia forjado para si mesmo.

Judas ficou desiludido.




Essa permanência mal-intencionada [junto a Jesus] foi o começo da sua traição. Durante todo um ano, equilibrou-se nessa atitude perigosa e cada vez mais instável, compreendendo com clareza crescente que o Senhor não corresponderia às suas ambições terrenas.

A Última Ceia — Frans Pourbus II

Judas, o ressentido




Com um ressentimento cada vez mais infeccionado contra o Senhor, foi dando voltas ao seu plano diabólico, até colocar-se a si mesmo numa posição de ilicitude, e ao Mestre num plano de ilegalidade e de culpa.
O Mestre era bom; mais ainda, mostrava-lhe um grande afeto. Era impossível que não tivesse notado a terrível perturbação de que o seu Apóstolo padecia havia cerca de um ano, mas continuava a tratá-lo da mesma maneira: o seu olhar procurava-o amorosamente, como sempre, e, quando lhe pronunciava o nome, a sua voz continuava cálida e amável. Não quisera trazer a público as fraudes perpetradas por ele contra a bolsa comum. Quando Tiago e João tinham querido falar disso com o Mestre, Cristo fizera-os calar e não quisera revogar a confiança que depositava no ladrão.
[Quando Judas criticou Madalena, por estar ungindo os pés de Jesus com um bálsamo precioso] o Senhor replicara: Por que vos escandalizais desta mulher? Ela fez uma boa obra comigo (Mc 14, 7). Judas não pôde resistir a essa repreensão em público e, diabolicamente ferido, aproveitou o pretexto desse "esbanjamento reprovável" para enfim levar a cabo o que por tanto tempo deixara amadurecer no seu íntimo.

A Traição de Judas

— Duccio di Buoninsegna (1308-11), Museu da Obra, Catedral de Siena (Itália)
Judas, o insolente



Os príncipes dos sacerdotes, tomados de assombro, satisfação e júbilo, não regatearam quando um dos Doze — um dos Doze! — se apresentou diante deles com a proposta por que tanto tinham esperado. Trinta siclos de prata! Judas não tinha outra coisa a fazer senão indicar aos inimigos de Jesus o tempo e o lugar em que o Mestre se encontraria sozinho e isolado da multidão. Vendeu o Mestre muito abaixo do preço de um escravo!
[Na Santa Ceia, Nosso Senhor anuncia a traição. São João pergunta: Quem é? Jesus responde: É aquele a quem eu der o bocado que vou molhar. E, molhando o bocado, tomou-o e deu-o a Judas Iscariotes (cfr. Jo 13, 21-30)].
Como são admiráveis as disposições do Senhor! Aquele pedaço de pão oferecido a um comensal era tão comum nos banquetes, que não podia chamar a atenção; pelo contrário, era uma manifestação de afeto para com um amigo. Cristo não atraiçoa nem mesmo aquele que o atraiçoa. Não lança contra ele nenhuma imprecação, como as que tinha proferido dois dias antes no Templo contra os seus inimigos, nem o entrega ao furor dos outros Apóstolos, seus companheiros.
A insolência de Judas [vai ao ponto de perguntar] Porventura sou eu, Rabi? (Mt 26, 25). Cristo olhou-o como só Deus pode olhar, e respondeu-lhe serenamente: Tu o disseste. Todo esse diálogo entre Jesus, João e Judas passou despercebido dos convivas, ou pelo menos não foi compreendido por eles.
Judas, o apóstata traidor
Desiludido com Jesus, afagado pelos inimigos deste, ferido por uma repreensão e por fim desmascarado, Judas foi-se afundando cada vez mais no abismo, até tornar quase impossível o arrependimento.
O pecado do traidor chegou ao auge quando Judas atravessou a noite amena e alegre da Páscoa, docemente iluminada pela lua cheia, à frente de uma grande multidão, armada de espadas e varapaus (Mt 26, 47). Lucas observa que Judas os precedia (Lc 22, 47): a um apóstolo convertido em apóstata, tudo lhe parece pouco para demonstrar o seu novo ardor.
Logo que chegou, aproximando-se dEle, saudou-o dizendo-lhe: "Mestre!" E beijou-o (Mc 14, 44 e ss.; Mt 26, 48 e ss.). Nele, Cristo experimentou toda a vileza de que é capaz a alma humana; no fundo daquelas trevas [da alma de Judas], vê rompido o selo que trazia o Nome do Senhor, porque nenhum apóstata é capaz de desarraigar completamente esse Nome que, desde o momento do seu Batismo, traz gravado na alma para sempre.
Aproximou o seu rosto do traidor, do infame, e trocou com ele o beijo da paz. Após uns instantes de silêncio, disse-lhe: Amigo, a que vieste? E depois, como se reprimisse um soluço: Judas, com um beijo entregas o Filho do homem? (Mt 26, 50; Lc 22, 48).
[Já profetizara o Salmista:] Se a ofensa viesse de um inimigo, Eu a teria suportado; se a agressão partisse de quem me odeia, dele me teria escondido. Mas tu, meu companheiro, meu amigo íntimo, que te sentavas à minha mesa e comias comigo doces manjares! (Sl 54, 13-15). Mas tu...!
Mas ai daquele por quem o Filho do Homem será entregue! Melhor lhe fora a esse homem não ter nascido (Mc 14, 21).
1.Otto Hophan, Die Apostel Judas Ischarioth, tradução de Roberto Vidal da Silva Martins, Editora Quadrante, São Paulo, 1996, 56 páginas. O opúsculo em português contém também uma interessante comparação entre Judas e São Pedro, que comentaremos num próximo artigo.
2.Dispensamos as aspas de praxe, pois todos os textos a seguir são do autor do opúsculo.



Judas e São Pedro




A Última Ceia — Perea Master
Em artigo anterior reproduzimos trechos de um atraente estudo1 sobre o caráter do traidor Judas Iscariotes. O mesmo opúsculo em português traz também, como apêndice, uma elucidativa comparação entre o pecado de Judas e o de São Pedro2, que nos pareceu interessante levar ao conhecimento do leitor, através dos trechos que abaixo reproduzimos.
***
A queda de Judas representa para nós uma advertência. Causa vertigem pensar que um homem bom, escolhido e preparado por Deus para realizar uma grande missão, um homem que conviveu intimamente com o próprio Jesus, e que tinha todas as condições para ser fiel até o fim e muito santo, tenha caído tão fundo.
Essa advertência torna-se ainda mais forte, se nos lembrarmos de que não foi só Judas que traiu. Os outros Apóstolos também traíram o Senhor, embora de outro modo, e até o próprio Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, traiu Cristo. Ele que tinha a missão de ser a rocha incomovível sobre a qual se deveria edificar a Igreja ao longo dos séculos, negou covardemente o Senhor.
Judas e Pedro. Duas histórias que nos colocam diante do mistério do mal, dos abismos de maldade que existem no coração de todo ser humano.


A traição de Judas

No início, Judas seguia Jesus com retidão. Havia na sua alma, como na dos outros Apóstolos, ambições humanas alheias à missão de Cristo e interesses pessoais mesquinhos, mas estavam num segundo plano; o que importava acima de tudo era colaborar com o Senhor.
No entanto, com o passar do tempo, essa situação foi-se invertendo: as ambições pessoais de Judas, não devidamente subjugadas à medida que ‘erguiam a cabeça', foram pouco a pouco ganhando terreno até que, em dado momento, o Apóstolo percebeu com nitidez que a proposta de Jesus não se coadunava em absoluto com elas. Então, em lugar de retificá-las, preferiu mantê-las e colocá-las em primeiro lugar na sua vida.
A partir daí foi-se desenvolvendo em sua alma um processo de infecção generalizada pelo câncer de um tremendo egoísmo. Seu coração foi-se endurecendo e distanciando aceleradamente de Cristo. A sua consciência foi-se embotando. Perdida a confiança em Jesus, passou a olhá-lo com olhos cada vez mais críticos, até chegar, após sucessivas decepções, a odiar Aquele a quem tanto admirara. Finalmente veio a traição vil.
Durante todo o tempo em que a alma de Judas se ia enchendo de trevas, Jesus não deixou de estimá-lo muito e de tentar ajudá-lo. Deu-lhe muitas oportunidades de arrepender-se do seu egoísmo.
Comenta São Tomás Morus que o Senhor "não o arrojou da sua companhia. Não lhe tirou a dignidade que tinha como Apóstolo. Nem lhe tirou a bolsa, e isso apesar de ser ladrão. Admitiu-o na última Ceia com os demais Apóstolos. Não hesitou em ajoelhar-se e lavar com as suas inocentes e sacrossantas Mãos os pés sujos do traidor, símbolo da sujidade de sua mente [...] Finalmente, no instante supremo da traição, recebeu e retribuiu o beijo de Judas com serenidade e com mansidão"3.

A negação de São Pedro



— Duccio de Buonisegna (1308-11), Museu da Obra, Catedral de Siena (Itália)


A negação de São Pedro

Pedro, pelo contrário, nunca perdeu essa retidão interior. Começou a seguir Jesus num arranque abnegado de generosidade. No entanto, a sua natureza generosa e ardente era frágil, e Pedro, apesar de tantas advertências carinhosas mas claras de Cristo, preferiu ignorá-las presunçosamente. E foi essa presunção que o perdeu. O seu itinerário até a queda correu pela linha das atitudes de autosuficiência, das ‘desafinações' em relação ao espírito do Mestre, que a longo prazo apontavam para a infidelidade em situações extremas. E assim chegou à sua tríplice negação.
Pedro, tal como Judas, tinha uma visão demasiado humana da sua missão e do próprio Cristo. Não atribuía a devida importância à oração. Sem deixar de ser reto, chegou, por presunção, a tornar-se extremamente vulnerável.
As negações de Pedro chamam mais a atenção que a traição de Judas, porque, no caso deste último, é evidente que houve um lento processo de deterioração que preparou a queda ruinosa, ao passo que, no caso do primeiro, aparentemente, o tropeço chegou de repente.
Mas a verdade é que também no caso de Pedro houve um tempo de maturação da queda, um período suficientemente longo em que ele teria podido notar a aproximação do perigo e tomar as providências necessárias para afastá-lo.
Pedro poderia ter notado que, à medida que se aproximava o momento da morte de Cristo na Cruz, a perspectiva dessa morte, que Jesus já afirmara repetidas vezes ser absolutamente necessária, o vinha deixando cada vez mais perplexo e tristonho. Poderia ter notado que ia crescendo no seu coração a relutância em aceitá-la. Poderia ter reparado que essa relutância estava tornando difícil a sintonia com o Mestre, o diálogo profundo com Ele. Que desse modo se iam entorpecendo no seu coração os desejos de um seguimento incondicional de Cristo, abalando-se assim as bases da sua lealdade.
Poderia ter dado ouvidos ao Senhor quando Jesus o advertiu do perigo de sua defecção. Poderia, em suma, ter percebido que se estava afastando de Cristo, que o estava seguindo `de longe', tornando-se portanto cada vez mais fraco. Não o fez por presunção — confiava demais em si mesmo — e, por isso, chegado o momento da prova, encontrou-se sozinho e desamparado, sem a ajuda de Cristo e da sua Santíssima Mãe, com a qual poderia contar se tivesse crescido em humildade.

Arrependimento de São Pedro — Andres Sanchez Gallque (séc. XVI), Museu de Arte Colonial, Quito (Equador)
São Pedro, Judas e nós


Estamos, portanto, diante de duas modalidades de queda, ambas inquietantes.
A história de Judas adverte-nos para o perigo da falta de pureza de intenção que nasce do egoísmo. É muito comum que os nossos ideais mais elevados estejam misturados com intenções egoístas de avareza, vaidade etc.
Aconteceu com a maioria dos Apóstolos, que, embora quisessem honestamente colaborar com a instauração do Reino de Deus, tinham também pretensões menores de vaidade: quantas vezes não teve Jesus que corrigi-los por estarem discutindo sobre qual deles seria o maior, sobre postos de honra, sobre quem se sentaria à sua direita ou à sua esquerda!
Aconteceu também com Judas. Só que, nos outros Apóstolos, essas pretensões e as suas inevitáveis conseqüências más não levaram à ruína final; em Judas, sim. Porque os outros souberam combatê-las à medida que se iam manifestando, e Judas não se preocupou com
isso. Deixou-se dominar por elas e, como conseqüência, corrompeu-se.
O que é realmente perigoso é a cegueira de uma consciência deformada. Só ela pode fazer que alguém acorde um belo dia e descubra, com amarga surpresa, que perpetrou uma terrível traição, que agiu como um canalha, como Judas. Todos podemos trair.
***
Termina aqui a transcrição do opúsculo
Encerramos lembrando um comentário que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira costumava fazer sobre a traição de Judas: se o traidor, após toda sua ignomínia, tivesse procurado Nossa Senhora para sinceramente pedir perdão, ele o teria obtido por meio dEla. São Pedro, pelo contrário, pediu perdão até o fim de seus dias, e por isso tornou-se um grande santo. Mas exatamente o que Judas não quis foi humilhar-se e pedir perdão.

Jesus lava os pés de seus discípulos

Um momento solene

No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os escribas e os fariseus. Ele parecia ser um grande profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos, resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico, Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte.

O começo deste capítulo é muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demônio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de o entregar, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4).

Estas palavras são muito fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..." Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão. De joelhos ninguém pode se mover com facilidade nem se defender.

João Batista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus se ajoelha em frente a cada um de seus discípulos.

Os primeiros cristãos devem ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco, como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,6-8)

Nós estamos frente a um Deus que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.

Jesus tira o manto

Jesus lava os pés dos discípulos não antes da refeição, o que poderia ser apenas um costume judeu de se purificar antes da refeição, ele lavou-os durante a refeição. Imaginemos a surpresa dos discípulos ao verem Jesus se levantar da ceia, tirar o manto, isto no meio da ceia pascal, um momento particularmente solene. Eles devem ter se olhado confusos "o que é que Ele está fazendo agora?" Era muito estranho!

A roupa é normalmente significativa. Ela identifica a posição ou função de alguém na vida: soldados, prefeitos, médicos, juizes, atletas e padres todos usam roupas que revelam sua função na sociedade. As roupas geralmente expressam uma certa identidade, dignidade e autoridade - ou a falta destas. A roupa pode significar o status ou o lugar que alguém ocupa na sociedade. Os ricos usam determinado tipo de roupas, os pobres usam outro, os pedintes outro.

Talvez Jesus tenha tirado o manto simplesmente porque era mais fácil lavar os pés dos discípulos sem o manto. Usando a túnica ele estava vestido para o trabalho. Porém, parece haver um sentido mais profundo neste gesto. Isto é indicado no Evangelho de João da forma como ele esconde e revela o mistério. As palavras que ele usa são: "ele depôs o manto" e Ele "o pegou de novo". Estas palavras depôs e pegou são as mesmas que Jesus usa em Jo 10, 11.15.17.18, quando Ele fala em dar a sua vida e tomá-la novamente. Isto parece indicar que tirar o manto significa dar a vida Dele.

Ao tirar o manto Jesus se despiu de qualquer função ou status social. Claro que Ele tinha poder, autoridade pois era um judeu, um profeta e um mestre. Porém, aqui, Jesus queria ser apenas uma pessoa, um amigo de seus discípulos. Antes de ser o Senhor e o Mestre, Jesus era um coração que procurava outros corações, um amigo ansioso por estar em comunhão com seus amigos, alguém que queria viver no coração dos amigos.

No final de nossas vidas seremos julgados pela maneira como amamos, não pelas roupas que usamos ou pelas máscaras que a sociedade nos forçou a usar. Seremos julgados pelo que realmente somos, não pelo nosso papel na sociedade ou nosso emprego.

Ao tirar o manto, Jesus quer demonstrar que está retirando tudo que possa ser um obstáculo à comunhão dos corações.

Jesus lava os pés dos seus discípulos

"Ele pegou uma toalha e cingiu-se com ela. Depois colocou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido"(Jo 13, 4-5). Os discípulos resistem. Pedro reage fortemente. Ele expressa o que provavelmente está no coração de cada um dos discípulos. A mesma resistência que talvez esteja em cada um de nós. O que diríamos nós se Jesus, Nosso Senhor, aparecesse diante de nós e começasse a lavar nossa roupa ou limpar nossa casa? Não ficaríamos acanhados e chocados? Nós certamente diríamos a Jesus para sentar na sala de estar e serviríamos tudo que Ele desejasse. Ele chegou junto a Pedro e este disse "Senhor, vais lavar os meus pés? E Jesus respondeu: "Tu não sabes o que estou fazendo, depois irás compreender." Pedro então respondeu: "Jamais lavarás os meus pés." Jesus respondeu "se eu não os lavar não terás parte comigo" (Jo 13,6-9).

Apesar de ter uma atitude humilde e submissa diante de Pedro, Jesus mantém sua autoridade. Ele fala seriamente "se eu não lavar os teus pés não terás parte comigo". Estas são palavras fortes que em uma linguagem simples significam: "se eu não posso lavar teus pés não serás mais meu amigo, meu discípulo. Não poderás entrar no meu reino e receber a minha herança. Tudo entre nós está terminado, podes ir embora." Ter os pés lavados por Jesus não é uma opção, é uma condição essencial para ser seu amigo entrar no seu reino de amor. Pedro não consegue entender isto.

Pedro percebe a seriedade e a gravidade da resposta de Jesus e fica trêmulo. Talvez isto o tenha feito lembrar-se das palavras de Jesus ao chamá-lo de Pedro (A Pedra - "sobre esta pedra edificarei a minha igreja), e ao chamá-lo de Satanás, depois que se lamenta ao ouvir de Jesus o anúncio do seu sofrimento e morte (Jesus, voltando-se para Pedro, disse: "Retira-te de mim, satanás; tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens". Mt 16,23). Palavras duras! Porque Jesus falou tão fortemente? Esta dureza esconde uma urgência e grande vulnerabilidade. Jesus está vulnerável. Aceitar o caminho da dor e do sofrimento, dar a própria vida, aceitar com humildade, como um escravo, sem direitos, ficar no último lugar: tudo isto vai contra o desejo normal do coração humano. Nosso desejo é ser alguém, mostrar quem somos através de nossas origens, qualidades, capacidades e direitos básicos. Estar disposto a renunciar a tudo isto não é fácil para Jesus, pois Ele permanece humano, como todos nós, exceto em uma coisa, o pecado. Este, no entanto, é caminho do amor que é dado a Ele pelo Pai no qual Ele viverá a total comunhão com o Pai e revelará seu amor radical por seus amigos, "até o fim." Pedro tem que entender isto urgentemente.

Frente a dureza da resposta de Jesus "Se eu não lavar os teus pés, não terás parte comigo", Pedro cede. Ele se abre para Jesus, mesmo sem entender porque ele não aguentaria se separar de Jesus. Então ele grita: "Senhor, lava não somente meus pés mas também minhas mãos e minha cabeça!" Talvez ele pensasse que Jesus estava criando um novo ritual de purificação. Mas Jesus afirma que não é isto, "aquele que se lavou não tem necessidade de lavar senão os pés, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos. Porque Ele sabia qual era o que ia traí-lo, por isso ele disse: Não estais todos limpos" (Jo 13,10-11).

Vocês devem fazer como eu tenho feito com vocês

"Depois que lhes lavou os pés e que tomou seu manto, tendo retornado à mesa, disse-lhes: compreendeis o que fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se eu, pois Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz assim façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo. O servo não é maior que o seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreendeis estas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes."(Jo 13,12-17)

Se Jesus lava os pés de seus discípulos, ele quer demonstrar seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de sua mensagem. Pedro reage fortemente, ele não quer admitir que Jesus se ajoelhe diante dele: "Tu nunca lavarás os meus pés!"

Jesus insiste e diz que eles não só devem deixá-lo lavar-lhes os pé mas também devem lavar os pés uns dos outros. Ele está dando o exemplo. Então, da mesma forma que deixar que Jesus lhes lave os pés não é opcional para os discípulos também não é opcional lavar os pés dos irmãos.

Vejamos que esta é a única parte do Evangelho onde Jesus diz: "Eu vos dei o exemplo." Jesus é nosso modelo. Em outras ocasiões Ele nos pede que aprendamos com Ele ou que façamos certas coisas como Ele as fez. Aqui ele insiste que se nós quisermos ser seus discípulos, ser parte do seu reino, nós temos que seguir seu exemplo e lavar os pés uns dos outros. Nós temos que fazer coisas que parecem ir a além do bom senso, costumes e tradições culturais.

É claro que Jesus está nos pedindo acima de tudo para termos certas atitudes para com os outros. Não é apenas uma questão de lavar os pés. O lava-pés é um sinal e um símbolo. Jesus nos pede que ajamos sempre com um coração humilde e cheio de amor em relação aos outros. Mas ao mesmo tempo Jesus insiste na importância de lavarmos e tocarmos os pés uns dos outros.

Conclusão

A imagem de Jesus ajoelhado aos pés da humanidade, está na minha mente há algum tempo. Jesus se abaixando para limpar e curar as feridas e para lavar os pés, sem dizer nenhuma palavra, mas com lágrimas escorrendo pelo rosto. Como é diferente da imagem de um Deus que julga, condena e pune; um Deus que vê os seres humanos como culpados. Por muitos séculos, as pessoas tiveram esta imagem de Deus. Mas Jesus nos diz: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei" (Mt 11, 28).

Hoje as pessoas estão exaustas. Há muito que fazer, muitas coisas a aprender. A competição está em toda parte, poucos são os vencedores e muitos os perdedores. A vida é uma luta constante pela sobrevivência. Muitas pessoas têm que usar máscaras para esconder sua falta de coragem, as dores do seu coração, seu desespero, sua falta de senso de dignidade, porque às vezes eles não têm trabalho.

Outras pessoas estão cansadas de tantas horas de viagem para o trabalho e para casa, suas agendas superlotadas, compromissos, metas a alcançar e todos os problemas sociais ainda não resolvidos e os problemas do mundo. Quando as pessoas estão muito cansadas e fragmentadas, elas perdem a energia e o desejo de celebrar, de agradecer. Elas não têm mais tempo para as outras pessoas, especialmente para os pobres e marginalizados, elas não têm tempo para abrir o coração.

Jesus ao lavar os pés dos discípulos nos mostra como Deus ama, e como seus discípulos, naquela época e hoje também, são chamados a amar e a "amar até o fim".

Finalmente, o lava-pés é um mistério como muitos outros atos de Jesus. Nós entramos neste mistério gradativamente, através de momentos em que sofremos perdas e nos tiram mais e mais o que possuímos. Quando Jesus diz a Pedro que ele entenderá 'mais tarde' Jesus está dizendo aos seus discípulos que é somente depois da longa noite do desconhecimento, e somente por um novo dom do Espírito Santo, que podemos penetrar este mistério e vivê-lo.

Jesus convida seus amigos a tirarem as roupas que lhes dão um status especial, a retirar as máscaras e a se apresentar perante os outros humildemente, vulneravelmente, com toda a sua pobreza. Para se tornar pequeno e humilde é necessário um coração cheio de amor, purificado dos seus medos e da segurança humana, pronto para amar até o fim, a fim de dar a vida aos outros.

Como Jesus quer que o imitemos? Jesus nos convida a seguí-lo na caminho da pequenez, do perdão, da confiança, da comunhão a da vulnerabilidade - sem abandonar em outros momentos nosso papel de responsabilidade onde exercemos autoridade com força e justiça, bondade e firmeza. Jesus nos convida a viver a loucura do Evangelho, não julgar os outros, mas sermos compassivos, perdoar e amar até o fim, e até amar aos nossos inimigos. Isto é impossível a menos que retiremos nossas vestes e nos tornemos pobres e desnudos perante Deus, para que estejamos totalmente "revestidos de Cristo."

Algumas pessoas, inspiradas pelo Espírito Santo, vivem mais profundamente a bênção do lava-pés, de sentar e comer com o pobre, o manco, o aleijado e o cego. Outros que têm importantes papeis na sociedade são tocados pelo sermão da montanha e pelo seu exemplo de vida. Eles anseiam por seguí-lo mais de perto. O rei Luís IX da França - S. Luís - costumava lavar os pés os doentes, todo ano na Quinta-feira Santa. Ele gostava de receber mendigos em sua casa e os servia na mesa. Um dia, enquanto ele caminhava com um acompanhante, eles ouviram o sino que avisava a aproximação de um leproso. Seu acompanhante correu, com medo de ter contato com o leproso. Luís no entanto, foi ao encontro do leproso e beijou-lhe a mão. Mahatma Ghandi quando visitava uma cidade, sempre procurava ficar com os "intocáveis" (os que pertencem as mais baixas castas da sociedade indiana), Ghandi passou a chamá-los de harijans, "filhos de Deus". Na sua própria vida na comunidade, no ashram onde ele vivia, mesmo quando tinha um importante papel na política, ele fazia questão de lavar os banheiros - e continuou a fazer isto até o final de sua vida. Desta forma, Ghandi testemunhava Jesus, pobre e humilde, Jesus o servo, que ele tanto admirava.

Depende de cada um de nós descobrir como somos chamados a ser mais "revestido de Cristo," a fim de servirmos nossos irmãos e irmãs com amor, bondade e humildade. Depende de cada um se aproximar mais daqueles que estão "abaixo", ajudá-los a se levantar, ouvi-los, pedir seus conselhos, aceitá-los como são, com todas as suas diferenças, ser um deles.

Jesus insiste para que os discípulos lavem os pés uns dos outros. Ele diz a Pedro que é absolutamente necessário que ele lhe deixe lavar os pés, caso contrário, ele não terá parte com Jesus. Jesus afirma que ao fazer isto, ele está nos dando um exemplo a ser seguido, e que isto é uma bem-aventurança e uma benção. Tudo isto é porque Jesus quer que tenhamos uma atitude interior de humildade e serviço em todas as ocasiões. Mas ele também está afirmando a importância de realmente lavarmos os pés uns dos outros. Este ato de humildade expressa de forma concreta o nosso amor e respeito pelos outros.

A Igreja Católica Romana realiza na Quinta-feira Santa a cerimônia do lava-pés, quando o padre lava os pés de doze membros da comunidade, como um sinal de obediência a Jesus. Não está Jesus pedindo que todos os membros das comunidades cristãs, de todas as famílias cristãs, lavem os pés uns dos outros em uma cerimonia bem preparada, em espírito de oração, serviço e comunhão?

Lavar os pés de um irmão ou irmã em Cristo, permitir que alguém lave os nossos pés, é um sinal de que juntos nós queremos seguir a Jesus, tomar o caminho da pequenez, para encontrar a presença de Jesus no pobre e no fraco. Isto não é um sinal de que queremos viver um relacionamento de coração com os outros, encontrá-los como uma pessoa e um amigo, e viver em comunhão com eles? Não é isto um sinal de que desejamos ser homens e mulheres de perdão, desejamos ser curados e purificados para curarmos e purificarmos os outros e então vivermos em maior comunhão com Jesus?