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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Você não passou

No espaço que ainda resta
na fresta da janela envelhecida
a timida claridade dos faróis
ilumina seu retrato em dia de festa.

Momento paralisado de um tempo ágil,
onde tua fragil imagem
é a marca da saudade
que faz sangrar meu coração.

Em cada um de nossos filhos
uma parte de você
talvez a mais preciosa
não me permite a despedida

Se a morte foi da vida a vitória
não elimina a lembrança
de quem por caminhos tortuosos
escreveu a minha história.

Escrita em desencontros
e explosões emotivas,
mas que apesar de sofrida
nunca desejou o adeus

Hoje o que resta é a lembrança
a despedida sem aviso prévio
e a certeza de que você passou
e que nunca mais vai voltar.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Por tudo que fomos

Por tudo que fomos
Seremos sempre o entardecer...
O encontro do sol e da lua.
Eternos amantes,
errantes...
Sem amarguras.

Constantes nas ilusões,
ardentes na paixão
que nos desiquilibra,
ferindo a fogo nossa alma,
roubando nossa calma,
na espera angustiante
de mais um entardecer.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Demência

No momento em que percebo
os nós que atam meu peito
a incoerência se agita
tornando a loucura bendita

Em cada passo em falso
a ameaça de uma queda
mostra-me que a vida vale
menos que uma moeda

Então respiro o meu sêr
como se fosse único
mas ele tem o poder
de tornar-me dubio

Incoerente comparar
infelicidade e amor
mas o amor parece dançar
atado ao compasso da dor

Nessa trama dos sentidos
repousa a minha demência
entre a falta de pudor
sobrevive minha inocência

domingo, 28 de outubro de 2007

Nosso Caso de amor

Sabes bem onde a lua se põe....
guardo-a em meus sonhos
a iluminar minhas solitárias noites
e as loucuras que o amor nos emprestou por alguns
momentos.

Tu sabes onde nasce o sol irradiante...
no corpo desta mulher amante que espera no jardim entre as flores ,
o teu regresso às escondidas.

Tu sabes que me recolho ao fim do dia,
Pois sou a outra em tua vida atribulada,
Mas sou a voz que sussurra ao teu peito apaixonado: volte logo , pois estou a te esperar.

Tu sabes e eu bem sei que nosso caso,
não merecia viver no anonimato,
mas se a ti este amor causa feridas,
a mim já bastam os momentos,
onde cada vez mais o coração insensato,
percebe que sem ti não pode pulsar.

Tu sabes que aprendi com a resignação...
Não cobro de ti posturas,
suporto as agruras que este amor
nos impõe.

Agradeço todos os dias
a presença em minha vida do teu amor
e mesmo sentindo que em breve haverá a partida,
ainda assim....ele jamais deixará de ser
o grande amor da minha vida

sábado, 20 de outubro de 2007

Em tempo

Entender o tempo
o que foi feito dele,
as conquistas de seu passar,
a perda de seus momentos.

Buscar justiça no tempo
encontrar ingratidão,
querer retornar ao tempo,
relembrar decepção.

Tempo de frutas verdes,
tempo de duras escolhas
tempo de solidão
tempo das secas folhas,


Tempo de mais uma cena,
visão da primeira ruga,
contemplação do infinito
descansar de outra fuga.

Tempo da tempestade,
da força insana dos ventos,
de ocultar a verdade
da vontade e do lamento,

Tempo de lucidez,
de emoção incontida
de olhar mais uma vez
a luzes da avenida.

Tempo de silenciar
aguçando a percepção
para ouvir atentamente
o clamar do coração

Observar a estrada
em seus duplos sentidos
não prosseguir enganada
no tempo a ser vivido.