A chama da esperança incendiava os corações e se refletia no
brilho dos olhos, que fitavam, desafiadoramente, o futuro.
O Messias havia discorrido sobre as bênçãos e consolações
reservadas aos humildes e simples, aos mansos e pacificadores.
Já se preparava para afastar-se da massa humana, quando alguém
inquiriu:
- E a fé? Qual a tarefa que desempenha na vida?
"- A fé - explicitou, sem censura ou cansaço - é a lâmpada que
se acende na mente para clarear a razão e aquece os sentimentos para
atuarem com segurança de paz.
Nascidas nas fontes insondáveis da psique divina, de que todos
somos herdeiros, é a estrela em noite escura apontando rumo, linfa
refrescante no deserto, pão nutriente na fome espiritual.
Espontânea, quando irrompe dos refolhos da alma, e, sustentada
pelo combustível do amor, faz-se confiança e estímulo para a luta
libertadora que todos travamos com nós mesmos, em relação aos outros e
em favor da Sociedade na qual nos movimentamos.
Racional quando surge como consequência da análise das coisas,
do estudo do Universo e do aprofundamento das questões da vida, que
dizem respeito à Criação.
A fé na criatura, na humanidade, no conhecimento, no progresso
de alguma forma é filha da vivência espiritual do homem com Deus,
inevitável conquista do ser imortal no seu processo de ascensão.
O céptico, atormentado e zombeteiro, encontra-se enfermo da
emoção e, quando se diz douto, entroniza no ego a própria ignorância.
Desejando ver Deus, se duvida, não o consegue, e se lobriga, já não
tem por que duvidar. Para lográ-lo, no entanto, necessita despojar-se
da presunção e buscá-Lo.
O homem sem fé é comparável ao nauta que conduz a embarcação,
esquecido de que ela perdeu o leme.
A fé é uma atitude emocional e uma conquista intelectual em
favor da Vida.
Pode ser trabalhada através da meditação, que a desenvolve e
amplia, da oração, que a consolida, bem como da ação que a demonstra.
Ao abandono, perde a vitalidade, enquanto que estimulada, se
expande e arde como labareda divina que jamais consome.
A fé possibilita as conquistas aos himalaias das dificuldades
e a vitória sobre os labirintos das paixões.
A fé jamais se confunde, porque intui sempre o correto caminho
a seguir, estabelecendo os deveres a cumprir e nunca teme nada, em
razão de que, estribada na verdade, não teme conflitos nem suspeitas.
O que hoje se lhe apresenta como impossível de operar, amanhã
surge como factível e depois se torna realização vitoriosa.
A Fé é a luz da Vida."
Mostrar mensagens com a etiqueta Divaldo P. Franco/Eros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Divaldo P. Franco/Eros. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
TRÊS SENTIMENTOS
A terra adusta a perder de vista e a ação de três homens joeirando o chão.
Ao primeiro, indaguei: — Que fazes?
— Eu? — respondeu-me, amargo — atormento-me no trabalho deste solo infeliz, donde nada, certamente, retirarei.
Ao segundo, inquiri:— Que realizas?
— Eu? — interroga-me, respondendo — trabalho e vou seguindo, porque o destino do homem é trabalhar.
Ao terceiro, perguntei:— Que fazes aqui?
Ele parou, retirou da face o porejante suor, e, com voz cansada, mas alegre, fitando a amplidão, esclareceu:
— Eu preparo, primeiro, uma seara onde medre o trigo para o pão; depois, uma sementeira para alimentar a Terra toda, e, por fim, um pomar, em cuja sombra de árvores frutíferas espoquem flores e sorriam perfumes balsamizando a natureza, por enquanto árida e triste...
... E volveu, sorrindo, à ação.
*
A revolta obnubila a razão e infelicita qualquer atividade.
O pessimismo obscurece toda paisagem de luz, mesmo a do futuro ridente.
A confiança enriquece de júbilos e borda de beleza o deserto, que se transforma em bênção de fartura, ou a dor que lapida para a felicidade da vida.
Ao primeiro, indaguei: — Que fazes?
— Eu? — respondeu-me, amargo — atormento-me no trabalho deste solo infeliz, donde nada, certamente, retirarei.
Ao segundo, inquiri:— Que realizas?
— Eu? — interroga-me, respondendo — trabalho e vou seguindo, porque o destino do homem é trabalhar.
Ao terceiro, perguntei:— Que fazes aqui?
Ele parou, retirou da face o porejante suor, e, com voz cansada, mas alegre, fitando a amplidão, esclareceu:
— Eu preparo, primeiro, uma seara onde medre o trigo para o pão; depois, uma sementeira para alimentar a Terra toda, e, por fim, um pomar, em cuja sombra de árvores frutíferas espoquem flores e sorriam perfumes balsamizando a natureza, por enquanto árida e triste...
... E volveu, sorrindo, à ação.
*
A revolta obnubila a razão e infelicita qualquer atividade.
O pessimismo obscurece toda paisagem de luz, mesmo a do futuro ridente.
A confiança enriquece de júbilos e borda de beleza o deserto, que se transforma em bênção de fartura, ou a dor que lapida para a felicidade da vida.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
SEXUALIDADE E VIDA
O dia se transformara em uma fímbria de luz coroando os montes, ao longe.
O Bem-aventurado terminara a Sua alocução. No entanto, alguns casais jovens se acercaram e pediram-Lhe para que lhes falasse sobre sexo.
Transparecendo na face marcada o respeito pelo tema sugerido, Ele assim considerou:
“ — O sexo é departamento sublime do corpo, destinado à perpetuação da vida. Feito para a criatura, esta lhe deve disciplina e orientação, ao invés de tormento e gozo. Ou o indivíduo governa o sexo ou lhe tomba exaurido na dissolução do apetite incontrolado.
Instrumento de dois agudos fios, ele faculta a alegria que fomenta a harmonia, assim como conduz à tristeza que leva ao desconforto.
Enraizado no ser, não exige complementos extenuantes para a sua satisfação. A mente insana, no entanto, se atormenta, utilizando-se de recursos perniciosos que o desagradam, desviando-o da sua finalidade superior.
Somente com o elevado controle interior, que responde pela satisfação plena das faculdades, é que se logra vencer o abrasar dos sentidos, nos quais seus ramos se estendem em inumeráveis direções.
O Espírito não possui sexo, que é impositivo transitório da existência corporal para experiências nas polaridades masculina e feminina. Por isto, ninguém é responsável pela queda de outrem, senão, quando este sofre o tormento do descontrole pessoal. Não se culpe, desta forma, a ninguém de ser a tentação para o seu próximo. Cada qual vê, no exterior, o que carrega interiormente.
Uma boa aparência pode sensibilizar, levando ao desejo da concupiscência. A entrega, porém, não aquieta o coração, antes desperta mais rudes paixões, que terminam em esgotamento ou saturação.
O alimento se destina à nutrição e manutenção do corpo e não à satisfação da gula. Da mesma maneira, o sexo tem a finalidade de atender a reprodução da forma sob o impositivo da lei natural e não para ser transformado em fonte de gozos insaciáveis.
É necessário que a força sexual seja canalizada para as construções do espírito, na arte, no saber, na realização.
Agredido pelo desejo infrene o homem deve orientá-lo com segurança, porquanto não há manifestação natural da vida orgânica que não possa ser comandada corretamente.
No oceano deságuam os rios que vencem as distâncias. No equilíbrio da vontade se encontram em harmonia todos os desejos sem nenhum choque. Assim, os instintos se transformam em sentimentos e estes se sublimam na área da razão.
O sexo é instrumento da Vida.”
O Bem-aventurado terminara a Sua alocução. No entanto, alguns casais jovens se acercaram e pediram-Lhe para que lhes falasse sobre sexo.
Transparecendo na face marcada o respeito pelo tema sugerido, Ele assim considerou:
“ — O sexo é departamento sublime do corpo, destinado à perpetuação da vida. Feito para a criatura, esta lhe deve disciplina e orientação, ao invés de tormento e gozo. Ou o indivíduo governa o sexo ou lhe tomba exaurido na dissolução do apetite incontrolado.
Instrumento de dois agudos fios, ele faculta a alegria que fomenta a harmonia, assim como conduz à tristeza que leva ao desconforto.
Enraizado no ser, não exige complementos extenuantes para a sua satisfação. A mente insana, no entanto, se atormenta, utilizando-se de recursos perniciosos que o desagradam, desviando-o da sua finalidade superior.
Somente com o elevado controle interior, que responde pela satisfação plena das faculdades, é que se logra vencer o abrasar dos sentidos, nos quais seus ramos se estendem em inumeráveis direções.
O Espírito não possui sexo, que é impositivo transitório da existência corporal para experiências nas polaridades masculina e feminina. Por isto, ninguém é responsável pela queda de outrem, senão, quando este sofre o tormento do descontrole pessoal. Não se culpe, desta forma, a ninguém de ser a tentação para o seu próximo. Cada qual vê, no exterior, o que carrega interiormente.
Uma boa aparência pode sensibilizar, levando ao desejo da concupiscência. A entrega, porém, não aquieta o coração, antes desperta mais rudes paixões, que terminam em esgotamento ou saturação.
O alimento se destina à nutrição e manutenção do corpo e não à satisfação da gula. Da mesma maneira, o sexo tem a finalidade de atender a reprodução da forma sob o impositivo da lei natural e não para ser transformado em fonte de gozos insaciáveis.
É necessário que a força sexual seja canalizada para as construções do espírito, na arte, no saber, na realização.
Agredido pelo desejo infrene o homem deve orientá-lo com segurança, porquanto não há manifestação natural da vida orgânica que não possa ser comandada corretamente.
No oceano deságuam os rios que vencem as distâncias. No equilíbrio da vontade se encontram em harmonia todos os desejos sem nenhum choque. Assim, os instintos se transformam em sentimentos e estes se sublimam na área da razão.
O sexo é instrumento da Vida.”
sábado, 3 de janeiro de 2009
AMBIÇÃO
O mestre convidou o discípulo a uma convivência educativa.
Passado o período de treinamento individual, o sábio apontou seixos e pedregulhos, tornando-os gemas preciosas, com o que presenteou o jovem.
Notando-o indiferente ao prêmio, indagou-lhe o que desejava.
O moço, ambicioso, respondeu:
¾ Gostaria de possuir o vosso dedo mágico.
O guru meditou em silêncio, após o que lhe redargüiu:
¾ De nada te valerá a extremidade, sem o dínamo gerador do poder. O dedo te seria inútil, faltando-te a mente disciplinada e vigorosa para a realização do que aspiras. E tal somente é logrado quando não se ambiciona nada mais.
Passado o período de treinamento individual, o sábio apontou seixos e pedregulhos, tornando-os gemas preciosas, com o que presenteou o jovem.
Notando-o indiferente ao prêmio, indagou-lhe o que desejava.
O moço, ambicioso, respondeu:
¾ Gostaria de possuir o vosso dedo mágico.
O guru meditou em silêncio, após o que lhe redargüiu:
¾ De nada te valerá a extremidade, sem o dínamo gerador do poder. O dedo te seria inútil, faltando-te a mente disciplinada e vigorosa para a realização do que aspiras. E tal somente é logrado quando não se ambiciona nada mais.
sábado, 3 de maio de 2008
PARODIANDO SÃO FRANCISCO
O homem se deve preocupar quando:
Esteja guindado às posições relevantes:
sob a bajulação dos frívolos;
diante dos êxitos embriagadores;
desfrutando de saúde e regalias;
usufruindo júbilos e planificando novas alegrias;
assessorado pelo gozo;
beneficiado pela fortuna;
cercado por apaniguados do triunfo;
sorvendo os capitosos vinhos da ilusão;
alimentando-se das iguarias seletas;
em repouso remunerado;
acarinhado por todos;
deslizando sobre os tapetes da fama;
regiamente amparado;
conhecido e comentado;
no topo da glória...
... Pois que muito será pedido àquele a quem muito foi dado.
A vida pede retribuição aos investimentos que realiza.
A tranqüilidade e a alegria perfeita são resultados da luta sem
quartel a que se entrega, em consciência, o homem que pensa.
Ela advém quando:
abraçando o ideal do bem, sofre;
buscando amparo, é desconsiderado;
necessitando de repouso, é expulso da enxerga em que se deita;
o próprio lar se converte em campo de batalha;
a enfermidade roda e domina;
a solidão se torna o clima de toda hora;
a solidão se converte em supliciadora;
o Sol arde-lhe na pele;
o inverno cresta-lhe o entusiasmo;
e sentindo-se sem apoio nem amizade, pode cantar e bendizer.
A alegria perfeita é o poema de paz que o coração amoroso
expressa quando, no mundo, tudo são desafios e sofrimentos,
mas a certeza do reino de Deus plenifica e liberta.
Assim responderia hoje São Francisco a frei Leão, atualizando
o memorável diálogo na estrada poeirenta entre Assis e Santa
Maria dos Anjos.
Oitocentos anos depois, certamente se interrogado, dessa forma
teria o Santo definido o que é a alegria perfeita.
Esteja guindado às posições relevantes:
sob a bajulação dos frívolos;
diante dos êxitos embriagadores;
desfrutando de saúde e regalias;
usufruindo júbilos e planificando novas alegrias;
assessorado pelo gozo;
beneficiado pela fortuna;
cercado por apaniguados do triunfo;
sorvendo os capitosos vinhos da ilusão;
alimentando-se das iguarias seletas;
em repouso remunerado;
acarinhado por todos;
deslizando sobre os tapetes da fama;
regiamente amparado;
conhecido e comentado;
no topo da glória...
... Pois que muito será pedido àquele a quem muito foi dado.
A vida pede retribuição aos investimentos que realiza.
A tranqüilidade e a alegria perfeita são resultados da luta sem
quartel a que se entrega, em consciência, o homem que pensa.
Ela advém quando:
abraçando o ideal do bem, sofre;
buscando amparo, é desconsiderado;
necessitando de repouso, é expulso da enxerga em que se deita;
o próprio lar se converte em campo de batalha;
a enfermidade roda e domina;
a solidão se torna o clima de toda hora;
a solidão se converte em supliciadora;
o Sol arde-lhe na pele;
o inverno cresta-lhe o entusiasmo;
e sentindo-se sem apoio nem amizade, pode cantar e bendizer.
A alegria perfeita é o poema de paz que o coração amoroso
expressa quando, no mundo, tudo são desafios e sofrimentos,
mas a certeza do reino de Deus plenifica e liberta.
Assim responderia hoje São Francisco a frei Leão, atualizando
o memorável diálogo na estrada poeirenta entre Assis e Santa
Maria dos Anjos.
Oitocentos anos depois, certamente se interrogado, dessa forma
teria o Santo definido o que é a alegria perfeita.
segunda-feira, 24 de março de 2008
O PASTOR CANTA
A voz, doce e quente, do Pastor, conclamava:
“Vinde os cansados sob fardos, exauridos pelos desenganos, sofridos nas circunstâncias existenciais, desanimados em razão da perda da esperança!”
“Ateai o fogo da alegria no feno da tristeza, no combustível em reserva, que restou das aspirações nobres, nas reminiscências das ofensas, nas cercas das dificuldades!”
“Erguei barreiras ao vício, impedimentos ao erro, dificuldades ao mal, utilizando a virtude do amor, o exercício da dignidade, a insistência no bem.”
“A tempestade que ameaça e arrasa, também modifica a paisagem, rarefaz a atmosfera, reverdece a terra...”
“E passados os momentos rudes, a brisa mansa oscula as ramagens quebradas, o solo encharcado, a terra ferida em sulcos profundos, anunciando as flores que virão, a gramínea que se recomporá, o pomar que se repletará de frutos.
“Ouvi, diz Ele, os cardos também se abrem em flor, os cadáveres fertilizam o chão, o charco se transforma em regato, sob as dadivosas mercês do Pai.”
“Estrelai, com a esperança da fé, as vossas noites de solidão e cantai o amor aos ouvidos desamados.”
“A vossa música, se nascer do coração permanecerá para sempre na acústica das almas que vos escutarem.”
“O cansaço, o desengano, a exaustão e o abatimento cederão lugar às manifestações da felicidade em forma de saúde, alegria e paz.”
Assim falou o Pastor.
Desde então os fracos tornam-se fortes, os tristes fazem-se alegres, os pobres adquirem fortunas, os enfermos restauram a saúde...
Uma canção, suave e morna, aquece o mundo, os homens, os animais e a vida não silenciando jamais.
“Vinde os cansados sob fardos, exauridos pelos desenganos, sofridos nas circunstâncias existenciais, desanimados em razão da perda da esperança!”
“Ateai o fogo da alegria no feno da tristeza, no combustível em reserva, que restou das aspirações nobres, nas reminiscências das ofensas, nas cercas das dificuldades!”
“Erguei barreiras ao vício, impedimentos ao erro, dificuldades ao mal, utilizando a virtude do amor, o exercício da dignidade, a insistência no bem.”
“A tempestade que ameaça e arrasa, também modifica a paisagem, rarefaz a atmosfera, reverdece a terra...”
“E passados os momentos rudes, a brisa mansa oscula as ramagens quebradas, o solo encharcado, a terra ferida em sulcos profundos, anunciando as flores que virão, a gramínea que se recomporá, o pomar que se repletará de frutos.
“Ouvi, diz Ele, os cardos também se abrem em flor, os cadáveres fertilizam o chão, o charco se transforma em regato, sob as dadivosas mercês do Pai.”
“Estrelai, com a esperança da fé, as vossas noites de solidão e cantai o amor aos ouvidos desamados.”
“A vossa música, se nascer do coração permanecerá para sempre na acústica das almas que vos escutarem.”
“O cansaço, o desengano, a exaustão e o abatimento cederão lugar às manifestações da felicidade em forma de saúde, alegria e paz.”
Assim falou o Pastor.
Desde então os fracos tornam-se fortes, os tristes fazem-se alegres, os pobres adquirem fortunas, os enfermos restauram a saúde...
Uma canção, suave e morna, aquece o mundo, os homens, os animais e a vida não silenciando jamais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
