As buzinas nesta cidade deixam sons no ar infernais
Bombinhas estouram pócs bam bam-bans!
Miados de gato e um cão com rabo entre as pernas
Nos escapes dos automóveis um fumaceiro...!
Passarinhos não estão nem aí, assoviam sinfonias
Nunca vi uma cotovia crepuscular, não é fácil o não voar...
No final de tarde uma teia de aranha rebrilha na luz
Somente sabe o que é o deserto, quem o vive
Queria ser aquela alva nuvem que passou
Bem diante dos olhos... o silêncio...
II
Andorinhas deslizam no céu acinzentado
tão duro fechar uma das partes do passado
é ser poça de chuva evaporando no verão
asas se movimentam contra o vento
despedindo-se de antigas recordações
no meio do rosto um ponto de interrogação
(por que será que não deu certo?)
pressinto que novas poças surgirão...
nos pés das crianças cantarolando nas águas
o estado de inconformismo dói ou corrói?
Somente o sol da manhã apagará os rastros
até então recém-formados em um abraço
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