Meu Deus Menino!
Encolhidinho de frio,
Sobre paHieroglifos..
lhas,
Entre os paninhos do presépio,
Olha por nós!
Meu pobre Jesus Menino!
Perdoa-me se não posso estar contente,
Como os anjos cantando em Belém,
Os pastores à vontade na gruta,
Ou os reis com seus ricos presentes!
Angustia-me a multidão das criancinhas
de quem é o Reino do céus
À mercê de novos Herodes, sanguinários e frios.
Ou expostos, em fetos, nas prateleiras de supermercados,
À voracidade canibal e blasfema,
De neo-pagãos enlouquecidos.
Penso no dilúvio de gente,
Vestida de preto, com iníquas leis humanas nas mãos
E iniquidade no peito,
Decidindo a morte de inocentes e corrigindo Deus,
Como se fossem deuses...
Bandos de elegantes, soberbos de pastas pretas,
Bem recheadas,
Redigindo leis e vendendo apoios,
Brincando de Moisés sem grandeza,
Cegos guiando e iludindo cegos,
A caminho do mesmo abismo.
E gente sorridente
Que se diz servidora da vida,
Vestida de branco de gorros brancos, e almas nem tanto,
Tranqüila ou não, levando à morte, inocentes sem júri,
Num Suriname de sangue e maldição que clama justiça.
Assusta-me a massa de vermelho e ódio, de colarinho branco,
Omissa e conivente,
Aplaudindo a corrupção de costumes e de honra,
Filhos de Barrabás,
Idólatras do poder.
Todos seremos julgados,
Por um Deus Menino....
Dá-nos, Senhor,
Um Natal com um resto de esperança,
Banhada em lágrimas e cheia de f é,
Nascimento difícil de um mundo novo,
De corações abertos e almas novas,
De olhos luzentes e mãos espalmadas,
Semeando amor, espalhando a paz!
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