quarta-feira, 11 de junho de 2008

SAINDO DO POÇO

Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno,

mas muito fundo, vivia um sapo.

O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que

conseguia ver pela abertura, bem no alto.

Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.
Por que não desce e vem brincar comigo?

É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.

O que tem aí? – perguntou o de cima.
Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e

até objetos voadores que vêm do céu.
O sapo da terra suspirou.

Amigo, você não sabe nada.

Você não tem idéia do que é o mundo.
O sapo do poço não gostou daquela observação.
Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu?

Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que

existe no mundo.

Aí é que você se engana, falou o outro.

Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço.

O mundo aqui fora é enorme.
O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu

pai se aquilo era verdade.
Haveria um mundo maior lá em cima?
O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito

mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.
Por que nunca me disse? – perguntou o

sapinho, desapontado.
Para quê?

O seu destino é aqui embaixo, neste poço.

Não há como sair.
Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.
E pulou, saltou, se esforçou.

O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele

foi se cansando.
Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer.

Eu tentei a vida toda.

Seus avós fizeram o mesmo.

Esqueça o mundo lá em cima.

Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.
Quero sair!

Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.
E passou o resto da vida tentando escapar do poço

escuro e frio.

O grande mundo lá em cima era o seu sonho.



* * *


Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se

cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai.

Vivendo a época da revolução cultural na China de

Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda

sorte de privações.

Pai, estamos em um poço? – perguntava.
Depende do ponto de vista. – respondia o pai.
Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo

no poço, sem saída.
Mas ele enviava mensagens aos Espíritos.

Pedia vida longa e felicidade para sua mãe.
Pedia pela saúde de seu pai mas, mais que tudo, ele pedia

para sair do poço escuro e profundo.
Ele sonhava com coisas lindas que não possuía.

Pedia comida para sua família.
Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse

ajudar seus pais e irmãos.
Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação

levá-lo para bem longe.
Um dia, a possibilidade mais remota mudou de

modo total o curso da sua vida.
Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi

fazer parte de algumas das maiores companhias

de balé do Mundo.

Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da

Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais

influentes dos Estados Unidos.
Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.
Li Cunxin saiu do poço.

* * *


Nunca deixe de sonhar!

Nunca abandone seus ideais.

Mantenha aquecido o seu coração e vivas as

suas esperanças.
O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!
Pense nisso!

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