quarta-feira, 11 de junho de 2008

CHEGOU A HORA?

“Só peru morre na véspera!” — diz o adágio popular, fazendo

referência ao fato de que ninguém desencarna antes que chegue seu

dia.

Na realidade ocorre o contrário. Poucos cumprem

integralmente o tempo que lhes foi concedido. Com raras exceções,

o homem terrestre atravessa a existência pressionando a máquina

física, a comprometer sua estabilidade.

Destruímos o corpo de fora para dentro com os vícios,

a intemperança, a indisciplina... O álcool, o fumo, o tóxico, os

excessos alimentares, tanto quanto a ausência de exercícios, de

cuidados de higiene e de repouso adequado, minam a resistência

orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida física.

Destruímos o corpo de dentro para fora com o cultivo de

pensamentos negativos, idéias infelizes, sentimentos desequilibrantes,

envolvendo ciúme, inveja, pessimismo, ódio, rancor, revolta...

Há indivíduos tão habituados a reagira com irritação e

agressividade, sempre que contrariados, que um dia “implodem” o

coração em enfarte fulminante. Outros “afogam” o sistema

imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos,

depressões e angústias, favorecendo a evolução de tumores

cancerígenos.

Tais circunstâncias fatalmente implicarão em problemas de

adaptação, como ocorre com os suicidas. Embora a situação dos

que desencarnam prematuramente em virtude de intemperança

mental e física, seja menos constrangedora, já que não pretendiam a

morte, ainda assim responderão pelos prejuízos causados à

máquina física, que repercutirão no perispírito, impondo-lhes penosas

impressões.

Como sempre, tais desajustes refletir-se-ão no novo corpo,

quando tornarem à experiência reencarnatória, originando

deficiências e males variados que atuarão por indispensáveis recursos

de reajuste.

Não somos proprietários de nosso corpo. Usamo-lo em

caráter precário, como alguém que alugasse um automóvel para

longa viagem. Há um programa a ser observado, incluindo roteiro,

percurso, duração, manutenção. Se abusamos dele, acelerando-o

com indisciplinas e tensões, envenenando-o com vícios, esquecendo

os lubrificantes do otimismo e do bom ânimo, fatalmente

ver-nos-emos às voltas com graves problemas mecânicos. Além de

interromper a viagem, prejudicando o que fora planejado, seremos

chamados a prestar contas dos danos provocados num veículo que não

é nosso.

No futuro, em nova “viagem”, provavelmente teremos um

“calhambeque” com limitações variadas, a exigir maior soma de

cuidados, impondo-nos benéficas disciplinas.

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