quarta-feira, 11 de junho de 2008

SÓ BE(R)BA

Sob o manto fétido da soberba,
O homem desenha os planos de sua vida.
Traços e rabiscos tolos vestem-se de orgulho, Línguas e letras permeiam mídias serviçais.

Mas o homem escreve e delira, dia após dia,
Seu teatro infesto, verme e atemporal.
Pelas guias e esgotos centrais enfim
Os olhos inventam e encenam peças.
O olhar acima das mentes se entrega:
Atire a primeira pedra
Aquele que jamais fez de um único ato
Seu triunfo respirado de pecados capitais.

Ao centro da praça visceral,
Um pombo arqueia seu peito e negocia
Um discurso na vitrine dos touros surreais.

Dia seguinte o homem vigia
A entrega de seu espelho matinal.
Busca nas páginas descrentes do noticiário
Seu retrato em preto-e-branco, páginas centrais,
Rasga-se em risos e mostra seus ouros todos
Desdenha um rival e infla seu peito animal.
Fim ignóbil, soberbo e prostrado
O homem crava-se, disforme e cego
Na lápide dos grandes vermes sociais

1 comentário:

Fátima Venutti disse...

Olá!

Estava fuçando na net e encontrei esse meu poema em seu blog. Fiquei muito feliz e agradeço pela escolha.
Caso queira manter contato:
venuttiana@hotmail.com

abraços

Fátima Venutti