Pensei em algum lugar morar
pensei que a rua era meu lugar
mendiguei carinhos
migalhas de pão
pensei nos trapos-jornais me aquecer
não morrer.
Nesta solidão que banha minha alma
nas catacumbas da mente
nos esgotos e pontes
mesmo assim
pensei Ser Gente !
Sonho
na noite que encobre a rua
que me faz refém-prisioneiro
nos restos-sombras-memórias
de algum dia
a algum lugar voltar-abrigar-estudar...
Na agonia desta vida mendiga
ouso castelos criar nas avenidas
nada escapa ao meu olhar-desejar
só vejo o estuprar das letras
dos direitos meus
das palavras vazias e ocas.
Tento manter o latejar do sangue
gritar o meu padecimento
a ferida sofrida dos meus filhos
da fome de comidas-escolas
dar trégua a mente e mostrar ao mundo
QUE SOU GENTE!
Mesmo assim
só escuto de volta um eco :
ES APENAS MAIS UM INDIGENTE !
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