segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

POBRE AMOR, ROSAS E ESPINHOS

Amor, que é amor, dura a vida inteira.
Se não durou é porque nunca foi amor.
O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições.
Sem perdão não há amor.
Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem
você mais amou.

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o
percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você
olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei
viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não
estiver por perto".

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração os quais
sozinhos jamais poderíamos enxergar.

O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto
assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.
Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu
vi, dentro do meu coração!"

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho.
Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha
cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave,
me entregou a senha.

Coisas que Jesus fazia o tempo todo.
Apontava jardins secretos em aparentes desertos.
Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas.
Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em
lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam
as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há
amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa
as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não
significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber
viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois...

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou e descobrir
que as roseiras não dão flores fora do tempo nem tampouco fora do
cultivo.
Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir.
Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez
seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o
cultivo daquela roseira.

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas
que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas...
Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com ela vão
inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o
incômodo dos espinhos... ou não.

1 comentário:

###a.l.#### disse...

Occasum

Autor: Orácio Felipe
Descrição :
Johann é imortal. Mas a imortalidade carrega consigo muitas angústias. A maior delas, a falta de um amor que a acompanhe. Ele buscava, como criatura das trevas, uma companheira que pudesse transformar. Ele buscava um antídoto e havia conquistado alguma força compondo poesias, admiradas tanto pelos seus criados, Igor e Fredy, quanto por aqueles que o perseguiam. Seus buquês de palavras, como costumava chamar, eram entregues àquelas que admirava. Mas havia uma única rosa em seu caminho, para a qual ele passaria a dedicar sua existência, que não era efêmera. Um vampiro buscando extinguir sua chama assassina através do amor de uma mulher.Um soneto aplacaria o coração frio de uma criatura?

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